sábado, 8 de junho de 2013

O novo

Aprendi a olhar sobre a janela do quarto. Em tantos anos, o passado sempre se alocou numa visão geral do que conheço ao pormenor. A estrada que percorro todos os dias mantém-se na mesma paisagem. A porta por onde entro não se altera. Até o ambiente por onde circulo só muda depois da chuva. Tudo à volta parece trancado à sua cor e natureza. Aprendi a viver assim, de raiz, sabendo dia após dia o meu destino. E o ponto de partida. Aprendi, até, a deixar fugir o que não conheço. Conseguir mudar tudo o que é próximo. Está na altura de entrar na senda dos desafios. E o próximo, é conhecer o desconhecido. Mesmo que tudo não passe de um novo ponto de partida.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

É a luz que tudo ilumina

A opção é sorrir

O relógio aperta a madrugada, nas longas quatro horas do novo dia. A janela mostra a chuva a inundar a rua de uma forma sistemática, que nos faz gostar cada vez mais do conforto de casa. Tudo isto parece banal, mas é o presente. Ou, para alguns, o chamado momento. Aquele que todos conhecemos, mas que poucos o vivem.
Estiveste quase a ser o momento. Ou todos os momentos. Estiveste perto, mas acabaste de manchar tudo e todos num gesto pouco fértil em emoção e, acima de tudo, em coragem... uma palavra muito dura em ti. Até te posso oferecer um obrigado, quase real, por saber que não és futuro, és o que chamamos de erro. Aquele passo em falso que teimamos em dar só para ficarmos satisfeitos do que podemos aprender. E contigo, aprendi o suficiente. Diria pouco, mas ser rude foi algo que não cheguei a aprender contigo, felizmente.
A opção é sorrir. E não é por tudo o que deixamos para trás, é por tudo o que ainda temos pela frente, por tudo o que temos que aprender. Talvez um dia, aprendas a sorrir assim, como eu, só para perceberes a diferença entre o teu falso e o meu feliz.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O manifesto

Olá

Hoje sinto que não sou de palavras. Nem tão pouco de gestos. Mas por aqui começo uma pequena mensagem que te dirijo a ti, sonho meu, como forma de te ver partir. De te ver seguir o rumo que não sou capaz de te acompanhar, por mais esforços que insista em fazer. Escrevo, aqui e agora, um manifesto contra mim, mas acima de tudo uma forma solidária e presente de transmitir que desisto.

E desisto pela sabedoria. A tal sabedoria de que nos faz ver quando parar. Quando chega de sonhar alto demais em terra de pequenos. Como eu. A tal sabedoria em que percebemos que somos seres humanos. E que voar nunca foi uma ideia, nem tanto uma possibilidade.

Desisto pela força. A força que preciso para esquecer que és um sonho. O tal sonho, que alimentou manhãs sorridentes, horas e horas de planos para a vida, que me fez sorrir só de pensar. A mesma força que um dia me disse: pára de sonhar, pára de voar, que um dia a queda será maior que a grandiosidade de sonhar.

Mas acima de tudo, desisto por mim. Desisto por saber que às vezes, é melhor parar e voltar atrás, do que avançar e seguir o caminho errado. Desisto por querer esquecer. Esquecer que voltei a errar, que voltei a cair. Desistir por fazer esquecer que sou o culpado de cair, e por não ter aprendido a lição. A mesma lição que, um dia, me quiseste ensinar.

Quero que saibas que desistir não é de fracos. Muita vez é de sábios e fortes. E mesmo sabendo que não sou nenhum deles, aqui tento ser. E serei. Porque desta vez, eu copio a lição para a capa. Desenho um aviso e deixo um lembrete. Porque por muito que sonhar seja uma forma de voar e sorrir, é também uma forma de cairmos. E eu, cansado de abraçar o chão, levanto-me hoje na esperança de te gritar um dia: sou feliz assim.

Eu sei, estou errado. Mas deixa-me sonhar desta maneira. Que mesmo lutando contra mim, sei que nunca foi de mim sonhar. Sonhar, é para os fracos, que nunca souberam onde e quando parar. Mesmo quando nunca foi preciso.

Talvez um dia nos vejamos, tomemos um café e possamos rir às gargalhadas do que fomos juntos. Aí, irás ver, que perdeste mais em voar do que eu em cair.

Melhores cumprimentos
Luis

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A escolha

Não importa a tua coragem, pouco importa a tua ambição. Cada passo teu terá sempre dois lados, duas opiniões, uma simples divisão. O objectivo não é conseguir tomar uma decisão: é saber qual dos lados é certo. E essa, pode não ser a tua melhor escolha.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A lição

Olá passado. Por muito que te tenha fechado a porta, colocado a chave em segredo e fingido seriamente a tua presença, sei hoje que ficaste do lado de dentro. Que me tenha enganado fortemente, mas és demasiado presente para te simplesmente fechar a porta. És demasiado cinzento para que possa abrir a cortina e deixar entrar o sol deslumbrante do exterior. Com isto, atiras-te também da janela todo o meu futuro. Quase todo vá, gostaria de ter alguns sonhos como lembrança na mesinha de cabeceira para me relembrar do que um dia tentei ser. Pelo meio da confusão, perdi o norte e o sul. E perco todos os dias, sempre que olho para tal porta em que, um dia, deixaste entre-aberta para que pudesse sonhar. Para que, pelo menos, evitasse andar na penumbra diária com que me batalho diariamente.
Por muito que o futuro não passe de um novo passado, seria por muitos que o desejo de vitória não saísse de casa. Que ficasse entre nós, no canto do sofá a ler o jornal e a comer os bolinhos do dia. Seria melhor ainda que fosse o novo papel de parede, lembrando até aos mais distraídos que é preciso acordar e, só depois, sonhar. E que a vontade fosse como viver. Que, por mais que se viva alegre ou revoltado, resignado ou sonhador, não se deixa de viver. E que a vontade fosse o respirar. Aquele respirar ofegante, rápido, feroz até.

Mas acima de tudo, não me deito todas as noites à espera de ser recebido pelo futuro com um sorriso na cara e uma música de embalar. Nem acordo de manhã à espera que o que sonhei se tivesse tornado realidade. É importante, talvez, acreditar que somos o primeiro passo. O segundo e o terceiro. E talvez, o quarto. Mas que, no fundo, todo este passado não seja mais do que uma lição do futuro. E essa, está na hora de aprender.

domingo, 16 de setembro de 2012

O sonho

De facto, todos temos um sonho. De impossível a realizado, vai todo o teu esforço, toda a tua razão e emoção, todas as tentativas do falhanço ao erro. Sabe-se, até, que definimos por sonho qualquer acto que está longe de fazer parte do quotidiano, longe das mãos. Requer a tua força de Super-Homem, aquela que nem tu sabes que a tens. Requer a vontade, a destreza, a paciência. Requer determinação, garra.

Porém, um sonho não é uma meta. Não é algo marcado com dia e hora, não és tu à minha espera, não é a notícia do jornal de hoje. Não são duas palavras, não é um preço nem uma vitória.

Sonho é o caminho. É o que fazemos diariamente para chegar a um objectivo. É a queda, o erro, a realidade negativa virada em contagiantes risadas, de fazer tudo à nossa volta com uma cor diferente. É o suor, o sangue derramado e a sujidade nas mãos. É o que fazemos para, e não a forma como cortamos a meta.

Se um dia a corrida parecer longa, só há um caminho. E esse, mesmo que seja parar e não acreditar, ou continuar e suplicar ao sacrifício, será sempre o teu caminho. Será sempre o realizar do teu sonho.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Peso Vivido

Antes de mais, obrigado por espalhares a saudade pelos quatro cantos da casa. Até a porta se encrava cada vez que a fecho, dos tempos em que a segurava para não ires embora. O sofá ainda tem a nossa marca, no chão permanece o nosso suor, e no ar sente-se a tua lágrima em forma de perfume esgotado. Será de mim sentar-me sobre a lareira, respirar sobre a memória num gesto lento, profundo, e reviver toda a tua presença em mim? Já fiz de tudo, o que facilmente me competia, de lutar para que nada disto tivesse existido, ou até de virar a página e escrever no vazio. Em ambas as opções, o amanhã nunca foi uma opção e o hoje, parece estar no passado. Todos os verbos são conjugados em sinónimo de ti, mesmo que me sinta o verdadeiro sujeito da acção. Foste o que tiveste de ser. E até foste mais do que devias, mesmo crescendo lado a lado com a minha alegria, e mais subitamente, com o que nunca consegui ser. Mesmo sabendo que tratas a vida como 'tu', e levas a alegria num bolso do casaco, sei ver a nuvem que puseste no teu lugar na outra ponta do sofá. Uma nuvem forte demais para alguém que ainda descobre de onde vem a luz, e de que força são feitos os abraços, de que razão existem as cores ou de que fonte alimenta a nossa chama. Hoje, sentado sobre lágrimas, sinto que dei mais um passo errado. O tal errado. Se hoje sou isto, amanhã não serei diferente. Porque até a diferença se faz com vontade, ânimo e valor, e eu acabo de descobrir que possuo pouco de valores altruístas e actos heróicos de mudar a face do cubo. Se sou o que escrevo, sei certamente que a página ainda está vazia, ou com escritas sem nexo. Poderei ser muito mais do que uma página branca, e ir além da contracapa, mas sei que o peso vivido jamais deixará de ser uma marca. E essa, nem a tua maior vontade conseguirá apagá-la, nem a minha esperança passará de um sonho por acabar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Ser o presente.

Imagina o dia em que tudo será mais fácil. Será mais certo. Se esse dia acontecer, fecha os olhos e foge.

Saber viver.

É tudo como o vento, solto e livre, mudando sempre o seu rumo. Soprar não lhe custa, nem o esforço será cobrado. Ser levado é tudo uma questão de energia e hoje, cito e repito, a vontade é esta, o resto é saber viver.

A vitória

Errar não é a forma como tropeças, é o teu próximo passo para a vitória.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ser finalista

Honrai-vos a todos na realização deste célebre dia. Honrai-vos pelo esforço feito, pelo conhecimento adquirido, pela vontade de serem maiores nunca ter desaparecido. Ser finalista é o resultado de um caminho longo. Nem sempre fácil, nem sempre impossível, mas que resulta nas pessoas que são hoje. E que, aqui, muito aprenderam a ser, muito aprenderam a enfrentar, sempre com o futuro em vista. É este o momento em que se encara o amanhã. Enche-se o peito de coragem e dá-se o passo em frente. É este o momento em que sabemos tudo, e não sabemos nada. Em que tiramos o proveito de anos e anos com livros na mochila e ideias sobre a mesa, horas infindáveis de leitura e escrita, e que pousamos o lápis. É o momento de pormos em prática o que até hoje poucos imaginavam ser, mas que agora é real. É o momento de serem as grandes pessoas em que se tornaram e de tornarem grande o que sempre quiseram ter. É este o momento de vestir a roupa formal, o sorriso tentador e o discurso fluente, e olhar em frente. Assim, se resume o ponto onde chegaram. Ao topo. Ao topo de uma pirâmide que agora recomeça, num mundo tão enigmático e cruel em que todos nós nos excedemos para conseguirmos vingar. É esse o caminho, é esse o ingrediente que faz cada vitória melhor. A vontade está do vosso lado, as oportunidades também. Um dia, quando olharem para trás, orgulhem-se do que fizeram, mas acima de tudo, orgulhem-se pelo que serão. É a hora de se verem a vencer.
Boa sorte!

terça-feira, 8 de maio de 2012

O ser depois de fumar

Sou um suspeito desta solidão envolvente. Entre cigarros e um copo de gelo com algo, olho-me entre espelhos para ver o que sou. No que me tornei em ser assim, auspicioso e verdadeiro, num mundo tão lutador e egoísta. Encaro-me com a atenção que devia ter ao te ver, ou ao vos ver, quando sorriem em falsidade extrema que só eu ainda não consegui notar. Espero um dia aprender a olhar assim, ou a ser assim, criando essa onda de realidade mesmo em quem não o esperam ser. Apago o cigarro veemente, e recordo que mesmo ele só importa quando deita este fumo. Depois de apagado, é assim, relegado ao cinzeiro. Um dia, hei-de conseguir fazer o mesmo com pessoas e, assim, poderei deixar de fumar.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Luis

Criativo e trabalhador de origem, o Luís caminha entre aventuras e desafios nas diversas áreas. Finalista no Mestrado Integrado em Arquitectura, no ISCTE-IUL, e presidente-fundador da ALX, vai-se dividindo entre o sonho de transformar legos em edifícios reais e a organização de eventos, sempre com um dedo na escrita e na coordenação de campos de férias, no qual se entretém durante os meses de praia! Destaca-se pela constante boa-disposição e responsabilidade, e acredita que o sucesso se evidencia numa forte liderança em que o exemplo vem do topo! Sonha um dia pegar numa câmara de filmar e ser Steven Spielberg em formato português, trabalhando até lá com convicção e confiança. Afinal, o Arquitecto Álvaro Siza Vieira acabou o curso em nove anos e é o maior, ele ainda vai em cinco e tem tempo para um dia ser assim, alguém!

Viver e não morrer

É do ser, do querer ser, ou do tempo em que fomos, do que já não somos, do sonho em sermos, da vontade em crescermos, da razão para que nunca deixemos de ser.

Sejamos directos, é melhor viver do que aprender a não morrer.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fechar o livro, ponto final

Procurei a ousadia na forma como termino esta história. Colocar-lhe um ponto final tornou-se tão definitivo como ele nunca deveria ser. Não bastariam leves palavras com esperança que tudo isto um dia continuasse. Fui directo, ousado ou simplesmente fraco. Mas lá terminei tudo com um simples silêncio e dois dedos de imaginação pura. Para qualquer leitor, seria o peso da contracapa um bom exemplo que havia acabado esta longa história. Todos nós temos esse prazer lato de fechar o livro e deitar a opinião sobre a mesa.
E tudo termina por aqui. O eu, ou o tu. As longas escritas, ou as curtas e directas, o que escrevi como incentivo ou o que deixo no espaço da imaginação. Lá lhe dou um nome, um prefácio promissor e uma larga vontade que este exemplar percorra a estante largos anos. Porque histórias destas servem para te corrigir das palavras graves, dos gestos que não o deviam ser. É aqui que aprendemos, no momento em que tudo acaba. Se um dia tiverem a oportunidade de o ler, espero que não me possam levar a mal, porque histórias bonitas já não existem, e esta não passa de uma lição de vida. Ou a minha lição do que é viver.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A guitarra

Encosto-me, como que me entrego à fraqueza, junto a esta parede que nos divide. Pego na guitarra e toco as poucas notas que sei, desviando o olhar do profundo vazio que me envolve. Tento soltar pequenas palavras de acordo com a minha melodia, na esperança que do outro lado me oiças a cantar. Devagar vou sentindo a tua voz completando o refrão que não sei, e acompanhando-me nesta troca de notas. Toco e repito, em mais notas soltas, que gostaria de saber voar para sobrepor este muro, juntar-me a ti e poder tocar o que me ensinaste a cantar. Letra por letra, nota por nota, como se fosses o caderno que me acompanha com a minha vivência. Como se fosses a continuação deste lindo horizonte, em forma de um lápis na branca folha de papel.
Sentado e exausto, recordo como consegues sorrir entre a chuva. Ou como sabes tudo o que me faz sorrir, mesmo sendo tu o que toco nesta guitarra. Deixo o silêncio abater-se no meu lado, para te escutar. Como cantas bem.

Um dia este muro cairá. Porque a música não acabará, porque saberei o que me desenhaste entre o inicio e o fim. Porque, acima do que sonho, está sempre o querer e esse, será sempre o que me fará voar.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Imagina o dia

Imagina o dia em que tudo será mais fácil. Será mais certo.
Se esse dia acontecer, fecha os olhos e foge.
Só a dificuldade te fará sentir feliz quando chegares ao topo. É sinal de luta, de garra, de que pelo menos, cresceste a lutar pelo desejo.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A voz

Oiço as vozes no ar, repetidamente, transmitindo o que outrora me foi dito, até repetido, através do vento. Se o que me dizes assim é razão para tudo ir abaixo, sejamos reais, até audazes, e vamos acreditar que construir algo de novo é sempre mais corajoso do que pedir ao desejo que o construa por nós.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O vento e a brisa

Sempre que no vento observamos brisas, sentimos a falsa realidade de que um erro será uma lição. Sejamos irónicos, ou humanamente correctos, um passo em falso será sempre a falha na estrada, a quebra do passeio, e nunca a vontade de que temos que mudar.

O fogo

Tenho o fogo na mão, alimentado pelo que deixaste em brasa, fervente, de um antigo olhar marcante, tão directo, tão solto. Sou mais do que fui, sou mais do que este fogo, que ainda fervilha entre mãos, entre veias. Serei mais do que sou, neste fogo em mim, serei este sonhador, mesmo no fim.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O sonho

Um sonho é um desejo travado pela razão. Mas é acima de tudo a melhor forma de te fazer ser alguém.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tempestade

O tempo que se cuide, que em dias de tempestade, saberei ser um raio de sol.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O errar

Errar é ver que tropeçamos num passo certo.
Errar é fugir ao instinto.
Errar é não sentir.
Errar é o que me fazes ser.
Errar é o que sonhei ser.
Errar é não gritar no silêncio.
Errar é seguir em frente na tua ideia.
Errar é não ser eu.

Errar é o passo que não dás em frente ao medo. Contigo erro, só para aprender que haverá o certo. Um dia.

domingo, 30 de outubro de 2011

Loucura

Se a loucura são duas palavras enviesadas, então sejamos justos e façamos o discurso do real. O não ser nunca foi algo imaginável, foi sempre a loucura de o ser.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Caminhar

Insistes em caminhar na minha tendência de olhar em frente. E insistes que todo este caminho nunca foi o correcto, numa clara vontade de dizer não ao que eu grito sim. Mas se não existisses, a dualidade em mim seria um só lado, e não te teria como ponto no equilibrio.
Só assim, eu caminho sobre a água. E sei que agora, ao me rever, sou capaz de ser em vez de só tentar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Hoje

Se caires como a chuva, aprende a sorrir como o sol. E mesmo que te tornes na nuvem, memoriza sempre que ela é passageira, e nunca um estado permanente.

sábado, 22 de outubro de 2011

O que pensas de mim?

Hoje foste directa na forma como me dirigiste. Tão forte que me deixou a suspirar sobre o vento à procura de uma resposta. A tal resposta.

O que pensas de mim?

Pequei pelo silêncio enquanto me sorrias. O teu olhar transmitia palavra por palavra, e o único que te respondi foi o silêncio. Aquele silêncio alegre de quem não consegue falar.
As horas passaram e a dúvida manteve-se, como o sorriso que deixaste marcado. Se tudo isto não passasse de um livro, terias uma página só sobre ti. E deixava a seguinte em branco para o que me falta conhecer.

Acima de tudo, apercebi-me que não tive a coragem para dizer-te que não sei a resposta. Sei apenas que tens sido mais do que um sorriso. Mais do que uma tentação. Mais do que um momento. Mas tenho toda a certeza: senta-te a meu lado e ajuda-me. Abraça-me. Dá-me a mão. Garante-me ao ouvido que és tudo o que tens sido e muito mais. Porque além de seres a alegria, és a prova que vale a pena acreditar. E eu aposto no acreditar.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Será?

Quando se ama, a inspiração é ilimitada. Experimenta.

Os degraus da tua porta

Já me sentei e repousei nos degraus da porta. Da tua porta. Continuo a imaginar que irás romper num tom apressado cada degrau, sem dares que ali estou, sentado. Que irás aparecer e perder o sapato, como a Cinderela fez, só para que tivesse a desculpa ideal para me apresentar.
Já tentei oferecer-te uma flor, e soltar o teu nome pela primeira vez.
Já pensei também que não morasses aqui, pela tua insistência em não me responder às cartas. Aquelas que deixo sem remetente, e que imagino não ter lá o meu nome só para te deixar na dúvida: quem serei?

Mas no fim, ainda sentado nos degraus da rua interminável, dou por mim a contar as pétalas da flor e a imaginar-te. E mais uma vez. Se estas lágrimas são a prova do céu nublado, sei então que te imagino muito perto do real. E isso é a minha razão para ali continuar, sempre na esperança que um dia me abras a porta.

O tu no eu imaginário

Tudo o que imaginei de ti está escrito dentro deste papel, em letras grandes sem pontuação. Está também desenhada a vaidade que sinto em me imaginar a teu lado, e a assinatura do meu 'sim' junto do 'para sempre'. Faltou só o teu nome que espero que mo digas baixinho, quase em segredo, para escrever na linha carregada que lá inventei, ao lado do meu nome. Deixo-te o desafio de apanhares a folha do chão, segurares com firmeza na caneta e assinares. A felicidade, essa, deixa por minha conta, assim que deixares de fazer parte do imaginário e passares a ser parte da minha razão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Road to hapiness

Olha o tempo que contamos, que entre os dedos nos escapa. Como a vontade, e a imaginação.
Sabes pouco da tentação, superas o meu lado fraco, crias o forte.
Passeias alegria entre os lugares da perdição, a minha perdição.

Mas calma. Os dias são dias, as certezas não passam de dúvidas. Mas quando formos grandes, seremos o significado da felicidade. Ainda não sei o que é, um dia saberei. E tu estarás lá, comigo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Remember me

Se tudo em nós fosse um momento, ele teria um fim.
E teria um durante.
E teria tudo o que nos lembrássemos dele, mesmo quando a memória enfraquecesse e as imagens caíssem.
Teria a luz, a cor, a sensação de viver. E a de um dia ter vivido.
Se tudo em nós fosse um plural, metade diria que não queria. Ou que iria desistir. A minha metade, tomaria o medo como coragem.
Se tudo em nós fosse a vontade, seríamos o grupo dos quase. E a meta tão perto..
Se tudo fosse em frente, não nos iríamos lembrar que aconteceu. Não iríamos recortar o bom do mau, a certeza da angústia.
Seríamos férteis, obcecados em não ser, mas em ter.
Se tudo fosse o agora, não teríamos a fé, não nos olharíamos ao espelho na busca do realizado. Seríamos fracos, derrotados e imóveis.
Se tudo fosse contado, haveria o tempo e a certeza. Mas nunca a paixão.
Se todos sonhássemos, nada seria como este real. Teria cor, seria esforçado.
Se tudo fosse um marco, teríamos a prova que fizémos de tudo. E que não nos faltou nada.

Poderíamos ter feito tudo sem sabermos que nos perdíamos no tempo. Tanto que faltou, ao olhar para trás e não haver volta.

Por isso olho e revejo-me, dia atrás dia. Porque no fim, quero que digas que te lembras de mim. E eu quero partir vendo que me lembro de tudo e, ao mesmo tempo, fui tudo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O amigo

Não confies no amigo que tens cá fora, confia no amigo que és por dentro.

O desejo de seres tu

És e insistes em ser o que mais desejas em mim.
Transformas a certeza na minha dúvida permanente.
Estás por aqui, sempre ciente da nossa presença.
Abraças o que hoje me foi dado, e que amanhã será o óbvio.
Resistes ao vento e à loucura.
Respiras liberdades em quadrados de luz.
Caminhas sobre mares, alcanças o que sonho.
Espalhas muito do que não sentes, sempre transparente.
Divides horas em tempos futuros.
Procuras o que escondo sem te esconderes do que sou.
Sorris sobre mim e sobre o que somos.

És o que desejo seres. Como um abraço forte em tempos de guerra.
Mas é por ti que já não há dias, há vidas.

Ser por não ser

Senta-te no conforto deste leve cigarro, acalma esses fantasmas, saboreia a sua pele de ceda e confronta-te com o agarrar da solidão. Aperta a mão da emoção, disfarça que me mentes, grita às paredes que sou quem não queres ser.

Ser por não ser, apreciemos o sentido desta velha amizade, que a realidade nunca foi a nossa confiança.

O disfarce

Sobre todas as teorias do amanhã resigno-me ao que sei. O conforto desde cigarro invoca as palavras certas com que me dirijo a ti, e percebo que realidade se impõe entre nós.
Será a razão? A lufada de fumo transformou este ar pesado num sentimento permanente de que a resposta não será a certa.
Recolho-me ao óbvio fixando tudo o que és em mim numa pequena imagem. Repetindo vezes sem conta. Já sabes aparecer sem eu notar, sabes ser ciente da tua presença em cada suspiro que eu dou. És, e sabes ser.
Os meus passos já são uma denúncia em ti. Já sabes ler o que escrevo e ainda não me olhaste nos olhos. Até sabes porque sorris, e eu que tanto gosto não quero descobrir.
Acabo de nascer sempre que te sinto mais próxima, sempre que me fixas nessas esferas e me transmites vaidade. Sabes ser imponente em cada olhar, e eu já não sei disfarçar.

Disfarcemos tudo o que é real. A ideia da emoção sempre foi uma vanguarda, mas há quem não resista ao conceito básico de um sorriso ou à insistência de um olhar. E isso, pode não ser só um erro meu.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O ser eu

Pega no copo, serve-me com o sorriso habitual.
Esquece a palavra de conforto e passa ao abraço.
Insiste em discutir o que mais desejas.
Torna tudo um capricho teu.
Oferece-me a tua dúbia hospitalidade.
Garante-me o conforto do silêncio.
E deixa-me ser eu. Tão só e eu.
Esquece que pronunciei o meu nome.
Adivinha quem somos nós.
Conta-me os minutos em horas.
Solta a gargalhada de futuro.
E espalha a realidade, recolhendo a mentira.

Tudo não passará de ser eu. O eu que não conheces.

Sobre hoje


O que poderei perguntar, sobre o hoje.
Ou responder com o vulgar
que tanto te faz vibrar.
É o que me faz recuar deste por-do-sol.
Estarás acordada?
Ou será o sinal da minha certeza.
Que tanto me inquieta sobre a tua palavra
e me questiona.
Anseio reconhecer o nosso lado,
insistindo estar aqui
para que sintas o lugar da estrela.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Today

Hoje, estás longe demais.
O que poderei dizer, no alto gritante da voz, que faça tudo voltar.
Talvez o tenha que ser, talvez não sinta a voz.
Hoje foste a palavra.
E o gesto, sentido e audaz. Foste a coragem.
Talvez tivesse sido diferente, e nada tenha mudado.
Hoje conseguiste.
Ser tudo o que não sou, ser maior que a própria sombra.
Talvez deixar-me sentir, querer o arrepio para sobreviver.

Ontem, tudo foi um hoje. E amanhã não o será, porque vamos começar.
Tudo novamente.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Pratica a amizade

Hoje bati á tua porta com a expressa vontade de te arrancar a frase 'porquê'. Seria auspicioso que a tua dúvida se confundisse com a simples vontade de te ver e de te ouvir dizer algo que nem sempre tenha que fazer tal sentido.
Porém, o bater constante deixou de fazer sentido quando a porta se manteve imóvel, albergando o número 47 em metal enferrujado. Talvez ainda andasses por lá, ou tivesses seguido viagem com o vendo que sopra de norte. Senti o vazio. Senti o frio. Senti o que me faltou.
Todos os passos que caminhaste desenham a minha incapacidade de ver além. Além de ti, além das palavras que me dizias, do ombro que chegaste a dar. Talvez um dia, nos vejamos a praticar a amizade. E hoje, não era o dia.

Mas como tudo, cá te espero. Porque o abraço, não se esgota.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Estrada


O reflexo dos dias de ânimo, mesmo que tudo seja uma estrada sem saída. O caminho é em frente.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A porta

Oiço o teu bater da porta na força máxima do grito de revolta. Os passos pesados que se afastam mostram-me a tua vontade em ser a minha nova barreira, com a frieza habitual de quem deseja o ambíguo da distância. Soletro, assim, palavra por palavra o longo pensamento que a solidão me obriga na esperança que a porta se abra com o som que me acostumaste a ouvir.

sábado, 21 de maio de 2011

O Arquitecto

Sou um arquitecto. Tenho que construir em mim uma parede de betão, suficientemente forte para ninguém a ultrapassar, e suficientemente bem feita para salvaguardar quem eu sou.

A mão

Sentado, tudo fazia parecer que o estabilizar era um termo falso. O andar constante tornou o pensamento uma notável confusão. De repente, uma mão surgiu e aconchegou o ombro, em sinal de conforto e ânimo. Uma voz forte surgiu:

'A amizade pouco te serve em dias de guerra constante. Pouco te serve quando a confiança em teu redor parece cobrar cada passo que dás. Tudo o que imaginarás como amigo será o primeiro a surgir contra ti em proveito pessoal. O primeiro a pegar na faca e um dos primeiros a querer usá-la. Só verás um amigo entre a névoa a dar-te a mão para te levantares. A ensinar-te com uma palavra de apoio forte e discreta. A gritar contigo sempre que a agressividade for o meio necessário para te corrigir. Um amigo não é alguém vulgar, é a presença contínua, a memória até ao fim. Mas não te esqueças, o teu maior amigo és tu, e esse não te pode abandonar...'

Olhei para trás, mas pouco mais vi que um sombra a afastar-se. Tudo o que tinha sido dito parecia tão certo. Serei eu a recusa ou, de facto, a amizade nunca foi uma verdade?

sábado, 14 de maio de 2011

Escorrer assim

De tempos em tempos, a verdade escorre pelos dedos. Agarra a essência da emoção que a razão já se perdeu. Sentes, assim, que o tempo acabou. Mas vamos parar no momento, para me esquecer que alguma vez existi assim. Amanhã, o sol tem que nascer outra vez.

sábado, 7 de maio de 2011

As certezas

Nos tempos que me recordo de parar o tempo apareces constantemente a sorrir-me numa forma repetida e quase sempre perfeita. Por mais que me esforce em esquecer, a tua imagem insiste em me fazer parar o tempo e libertar palavras com pouco sentido.
Como hoje. E provavelmente o amanhã.
Se isto fosse tão normal como a chuva que bate lá fora, teria a certeza de que por esta altura não me lembraria das 11 vezes que me sorriste ontem nem do olhar tão marcante que me dirigiste quando não parava de te olhar. Certezas não as defino, mas insisto que nada de passa.
Um dia, espero, a tua imagem não passará de uma miragem. Ou como imagino, será uma parte de mim que eu não consigo esquecer.

O teu Sorrir

Ver-te sorrir entre a névoa do meu cigarro trouxe em mim prova que nem tudo se esquece. Ou que nem tudo se tenta esquecer nos padrões tão fixados de um desejo submerso entre a dúvida e o presente. Enquanto as palavras não surgem, insisto em te fixar com este olhar tão sério e sonhador que espero não chegue a ti no meu sentido tão lato, mas na leve certeza que a névoa se mantém. Incrível a forma como me mexes sorrindo na naturalidade do dia, como me ultrapassas com a forma discreta que encaras o meu olhar fixo e te centras no café sobre a mesa.
Se continuas a sorrir assim, um dia tenho a certeza do meu controlo perdido, e de que a quebra está num caminho paralelo. Arriscaria nesta dúvida se me sobrasse coragem em que um dia, de facto, sorririas sobre mim, e não para mim, como tanto insistes em fazer.
É berrante ser tão frágil perante ti quando me asseguro que forças não me faltam ao te olhar, ou ser tão inseguro quando me certifico que a emoção é a minha razão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O tu em mim

Os tempos que te levam, fugazmente, em sentido inverso ao vento, denotam a reflexão tão emocional quanto fictícia, como o voo abismal entre o que foste e o que eu serei. A diferença pouco se nota no leve caminhar sobre a água que ambos fazemos junto ao abismo, com a atitude certa do passo em frente no recuar do tempo. Tudo o que sei resumo a estas palavras, quase mortas, com a ligeira réstia de tempestade onde a vontade é um misto do tudo no nada.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sempre, tu

Da imaginação fértil do gostar dos teus defeitos ao topo da realidade vai a minha procura do expoente que insistes em sorrir. É aqui que a bandeira se ergue com o balançar dos momentos que acreditamos ou que fugimos em pensar. O meu gostar passa agora de pormenores que me vai roubando o fôlego cada vez que seguro as palavras. Continuo a pensar que gostar de ti se tornou a minha missão no teu intervalo incerto. Se tiver que parar de sonhar, acorda-me no fundo da emoção, que a razão já não me pertence.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O preto e o branco

De tempos em tempos o relógio pára no preto e branco constante da paisagem. É uma presença pouco notada numa manifestação silenciosa, estática, em distintos sonhos de absurdos comuns. O fundo da imagem representou-te nos meus ideais próximos, em que tu sorris constantemente e eu observo parado, revoltado. Se tudo fossem sonhos, seria o teu sorriso e tu a minha razão de sorrir.

sábado, 23 de abril de 2011

O esperar

Tanto navegar em sombras de alguém que a escuridão já não o é, entregue que está à nossa luz de esperança. Sempre tive como resguardo o que nos faz balançar entre o credível e o hipócrita, mas hoje sonho que um dia o teu acreditar se resuma a um tempo em conjunto. Já diria a velha voz da razão, o esperar é o sabor da angústia, mas a certeza da glória.

Tempos

Olha, como os tempos te fogem, entre as razões do quase desejo em alínea de emoções de um respirar só. Todos os outros, em que tudo falha ao alcance fora do tempo, respondem ao claro sinal de liberdade que o dia não acabou ontem, mas acabará amanhã.
Toda esta confusão te figura no centro da atenção, enquanto a tua lágrima me venera e nos simboliza como um sorriso solto e não a profunda tristeza.
Sorri, dizem eles, desconhecendo como se sente em tempos destemidos, mas que um dia, envolvida nos meus braços, abrirás o teu largo sorriso rebaixando a tão presente lágrima.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A estrada

O futuro que não trava, a fundo, na tua estrada molhada como obstáculo no avançar das razões ou no recuar das certezas. Acelera a fundo no medo do arriscar, que o mais certo de tudo é a nossa incerteza.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Prefácios

Sinto a fúria da recusa, o impulso da distância, a tua falsa palavra que corre nas minhas veias, como eco de um gesto perdido sobre mim. Sinto a presença do teu perfume deixada junto á porta, num figurante rasgar do passado entre linhas. Sinto a estrela, o teu brilho na minha dúvida, que paira como o muro que nunca aceitei, e a razão pelas marcas dos meus passos te recordarem o meu adeus.


Sei do decorrer dos segundos na antecipação dos sessenta minutos. Conheço bem o passar dos dias ao lado da ofegante respiração que trazes sempre me queres escutar, e avisar da noite. Ela que cai, suavemente, trazendo o infinito brilho da tua estrela, nossa estrela, a que cai e brilha, a que espanta, tu. O eu no escuro, o eu perdido, o eu como pequena estrela, e o tu como infinito.


Sinto que o vento muda de direcção a cada vontade mais insistente. O que nos leva a segui-lo sempre nos criou dúvidas, porque o erro existe. Se cada passo fosse o certo, o vento não sopraria assim, e a dúvida não nos levaria a pensar que tudo gira como queremos que ele gire. Podes imaginar a verdade no erro, eu prefiro sentir a vontade de o cometer, e de pensar que tudo não passa de um erro corrigido.


O esforço nem sempre é sinal de realização, como a tristeza nem sempre é sinal de fraqueza ou falha. O caminho nunca se mostrou complicado quando o passo dado não tem medo de tropeçar, nem nunca foi fácil quando andamos em chão de vidro. Arriscar não é coragem, é vontade de saber o desconhecido.


Pára, recomeça, interessa-te, foge, apaixona-te, define-te, encontra, cansa-te, desilude, acredita, e sente. Se tudo isto pudesse ser um verbo, seria crescer e não viver, seria respirar e não perder. Porque tudo o que queremos devia ser uma vontade, quando tudo não passa de uma conquista.


O sorriso é um gesto falso. Aquele sorriso, desdenha-te em curiosidades múltiplas, que nem a tua ingenuidade o decifrará. Aquele sorriso satisfaz-te pela aparência, como uma máscara leve sobre cada um dos teus vazios. Não sabes quem eu sou, e nem eu quero saber.


Colecciona sentimentos, abandona medos e traicções, junta alegria e coragem, contrapõe a sorte ao azar, abandona a falsidade. Porque ás vezes, nem sabemos quem somos.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

So is this Christmas
And what have you done?
Another year over,
A new one just begun.


Sim é Natal. O Pai Natal já pode subir ao seu trenó, carregar magicamente milhares de sorrisos em forma de prendas, descer pela nossa imaginária chaminé e deixar um presentinho. Pode depois descansar durante um ano, vendo sempre quem se porta bem e deixar-lhe no fim a devida recompensa.

O Natal é fútil. Ponto. Seria tenebroso alongar a sua explicação quando se transmite a falsidade de um presente em busca de uma união familiar, de um sorriso quase verdadeiro junto de uma árvore enfeitada. Tudo isto podia ser uma história de encantar, se não existisse este mundo. Este mundo no qual eu vivo, no qual eu sobrevivo e luto em forma de palavras, no qual todos sonham e poucos os seguem.

Se isto é um verdadeiro Natal, devia agora pegar no pobre junto á estação e trazê-lo para junto da sua inexistente família, dar-lhe o apoio que não consigo e por-lhe um sorriso que eu preciso. Se fosse Natal, andaria encantado em cada rua só de ver cada luz, passeando livremente sem existir toda a maldade á minha volta.

Felizmente, cada altura destas trazem um ar de verdade a todos os sorrisos criados. Até ao meu, que tende a não aparecer. Traz tudo o que o resto do ano tende a apagar, e traz o que a tradição força em manter.

Sei que a verdade é um mito, e a luta uma forma de encorajar. Mas também sei que a magia de cada falso presente traz a todos a sensação de felicidade, aquele sentimento tão caloroso e escasso por quem o mais precisa. Desejo através destas fracas palavras muitos momentos como este, ao sabor de um Natal perfeito. Desejo toda a paz, todo o real sorriso, e que o Natal não seja um dia, sejam 365.

Bom Natal

domingo, 5 de dezembro de 2010

A máscara

Sempre insisti em deixar todo este preciosismo de lado, na forte convicção de que o sentir nada teve a ver com o saber, mas sim com a ocasião. Já reclamava o tempo, severamente esquecido, que os dias são meras contagens, e os momentos são meras recordações. A ânsia de viver protegia todos aqueles vazios pouco imaginados por nós, mas deixados a descoberto em cada falha. As máscaras pouco fortes deixavam-nos inocentes, fracos e presos, sempre convictos que o nosso ser não passa de uma realidade, mas sim de um objectivo.
Juntava-se um sorriso, um olá mais prolongado, um abraço desviado ou dois dedos de conversa insultuosos, alargando a nossa falsidade a objectivos pouco claros e, por isso, vazios da nossa imagem. Aqueles vazios nunca verbalizados em amizades duradouras nem em intimidades loucas, com medo que deixem de ser vazios, e passem a ser um mar de mágoas.
O sorriso é um gesto falso. Aquele sorriso, desdenha-te em curiosidades múltiplas, que nem a tua ingenuidade o decifrará. Aquele sorriso satisfaz-te pela aparência, como uma máscara leve sobre cada um dos teus vazios. Não sabes quem eu sou, e nem eu quero saber. Adquiro o real medo da verdade, pela mentira que sabe tão bem. Tão cómoda, tão inocente, como todos aqueles sorrisos que me deixavam alegre, por fora. Um dia entrarás por detrás desta pele, e encontrarás outra, com mais enigmas que o meu ser, com mais dúvidas do que realidades, mais razões do que sorrisos.
Se um dia me olhares e criticares, acreditarei que não sabes quem sou. Se um dia me desviares o olhar, continuarei confiante no meu falso sorriso e na tua falsa razão. Sempre demonstraste o teu sorriso, e eu agradeci-te com o meu vazio.
No fim de cada momento, o tempo soube sempre permanecer intacto mesmo por detrás de cada máscara. Soube permanecer vivo em cada memória por mim esquecida, soube proteger-se da ganância e do medo, e sustentar-se na vivência. Soube agarrar-se á falsidade e deixar-me preso no meio do meu vazio, navegando em ilusões por mim criadas e levadas ao extremo. O sorriso já não encanta, a verdade já não ganha coragem, o medo persegue-nos a cada dúvida.
Se um dia o medo me conquistar, a palavra não será lida em voz alta, não irá soltar-se do tempo, e tudo será o que eu sempre fui: o vazio. Aqui escrevo, e mesmo dentro desta máscara, ouve-me, encoraja-me, que as forças perdem-se. Solta-te, o eu dentro de mim, que já não sei quem tu és, nem quem eu quero ser.

domingo, 16 de maio de 2010

Se poderia

Poderia escrever calmamente um conjunto de vontades reflectido em meia dúzia de palavras. Seria fácil compreenderes o que tento fazer a cada momento que passas por mim com um olhar longe, junto ao horizonte. Aquele olhar dominante, incrivelmente autoritário e sensível, que me faz esquecer que sempre exististe.

Poderia escrever o teu nome na areia daquela praia, reescrevendo ao passar de cada onda. O sol daria-lhe a cor que falta, e que eu próprio me havida esquecido de acrescentar. Poderia sonhar contigo sentado nessa mesma areia, numa noite longa e agradável contando as estrelas que guardavam cada desejo nosso. Os mesmos desejos que te contaria, vezes sem conta, junto ao ouvido em sentido de provocação.

Poderia raptar-te do teu mundo e levar-te para bem longe. Levar-te ao topo do mundo, ao fim de cada estrada, ao desconhecido por nós até no pensamento. Ao espaço de ninguém que tomaria-mos como nosso, escrevendo o nosso nome entre linhas numa placa bem visível. Poderia partilhar que existias, gritar bem alto o teu nome para que os novos vizinhos soubessem que existia tal beleza.

Poderia, bem junto ao infinito, acender uma vela e piscar o olho entre a restante escuridão. Enganar o medo e viver de olhos fechados, sentindo somente o teu toque, ouvindo a tua voz como se estivesses dentro de mim. Apagar o coração de velas que te rodeava e ficar a olhar para o luar que insistia em te iluminar.

Poderia esquecer tudo. Esquecer o que já não importa, e lembrar quem tu és. Lembrar do que fazes, do que insistes em marcar e da importância que tu não esqueces em fazer. Poderia até lembrar-me unicamente do sorriso que fazes sempre que não digo nada de jeito, ou da palavra que dizes sempre que fico calado.

Poder, poderia. Poderia fazer a felicidade em gestos que eu, tu ou nós ligaríamos a um sorriso. Poderia, mas não faço, porque insistes em marcar presença só na minha cabeça, e não a meu lado. Só no meu mundo, e não no teu. Porque um dia, daqueles normais, poderíamos acreditar. E eu, que tanto acredito, poderei esquecer-me que tenho que acreditar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Muralhas

Tão grande que é a muralha com que me deparo, dia após dia, robusta e marcante em olhares invisíveis mas possíveis de um dia não sentir. Cada dia que passa parece maior, mais dura e crua do que um dia foi, mais me assombra e me põe na escuridão de um dia vazio e perdido. O olhar perde-se a perceber o seu início, a memória procura esquecer o seu fim. Não há forma de a ultrapassar, de a vencer, de a esquecer. O aperto é forte, esmaga a vontade que nasce e desaparece, cada vez mais fraca.
Hoje, destruiu-me numa implosão intensa e feroz. Roubou-me o querer, o passo do longo caminho, a certeza, a possibilidade, o sonhar, o sorriso. A força já me cai, em duas lágrimas soltas, marcando como tatuagem a dor que as faz sair. Que as libertou, no meu acordar, até ao ponto de voltar a esquecer o mundo, e fechar os olhos. A muralha insiste em permanecer, cada vez maior, cada vez mais sobre mim num jogo com vencedor anunciado. Renuncio ao que sempre quis ter e ser, ao que sempre procurei e nunca vislumbrei, na busca do meu passo certo, do meu olhar, do meu abraço forte, da minha pessoa. Nunca a verdade tinha sido tão marcante em espaços curtos e directos, em falas sequenciais que me puseram fora do mapa, fora da crença comum entre todos os que procuram o mesmo que eu. Hoje, abandono a luta, ergo a bandeira branca em sinal de fraqueza, em sinal de consciência de que nada faz sentido, tudo se perde em pensamentos hiperbólicos.
A chuva cai. Espalha entre gotas pesadas e frias a sua multiplicação, a sua liberdade total. A verdade doeu, enfraqueceu o que procurava sobreviver. Acima de tudo, bati neste fundo sem perceber a saída, sem olhar para a luz e ter a vontade de a sentir. O caminho apagou-se, o sorriso não volta, a chama apagou-se. Se um dia a verdade foi necessária, este é o dia. O dia em que acordo, abro-me para esta pesada envolvente que teima em me esconder do mundo. Se um dia me apeteceu escapar destas teias que insistem em me prender, este é o dia. Resta-me trepar a muralha, quebrar passados e construir futuros, para que um dia a muralha que eu sinto me pareça tão pequena, vista de cima.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O jogo começou

O ano acaba, o ano começa. Banalidades que eu, tu e nós cronometramos e tentamos identificar como meta de um objectivo: o concretizar. Poderia facilmente apagar em pequenos gestos o que foram 365 dias de um longo horizonte, por vezes descolorido. Poderia, igualmente, descrever em estranhas palavras o que insisto em manter vivo o que aconteceu em igual tempo.

Nenhum dos dois me trará aos dias o caminho no mapa, sinalizando o próximo objectivo. Não me trará, igualmente, o seu sorriso fortemente marcante, o momento de chamas que me fez brilhar, ou tudo o que me trouxe a fonte aos olhos. Não me fará sentir o seu toque, a sua mágoa, o seu suspiro matinal ou o seu quente abraço, forte, inexplicável. Pouco me fará lembrar cada palavra sua, cada momento nosso, cada caminhada minha agarrado à solidão, de mão dada. Tudo está marcado a ferros, incluindo a dor. Sim, a dor. A dor do tempo que passou, do sorriso que teimei em não dar, da mão que não estendi, da palavra que não soltei. Do erro que marquei, das falhas que não escondi, do tempo que gastei. Dos tremores do meu mundo, das tristezas que apaguei e que não desapareceram. Até do que criei, do que insisti, do que mudei. Não, não apago. Revolto-me, sim, por mais um ano onde o que fiz foi o que não fiz, o que lutei foi o que hoje ainda luto. Luto, sim. E volto a lutar, segura-me.
Hoje, amanhã e depois. O passo que dou em frente faz tudo começar de novo. Não do zero, mas do negativo que ainda procuro recuperar. Tudo significa uma nova etapa, a página que viro de um livro em branco. Toma, a caneta, escreve o que nunca foi dito, rasga, marca, risca vigorosamente para que tudo se preencha, tudo se perceba mesmo que eu não o deseje.

Assim, caminho novamente na mesma rua, no mesmo lugar. Nada mudou, a vontade mantém-se igual a si mesma. A tua presença é nula, o meu mar é imenso. Aparece, liberta-me do que me segura e mostra-me o espelho da luz. A partir de hoje, o meu passo será a minha glória em dias contados, em prazeres vulgares, em tristezas aprisionadas.

Sim, o sol voltou a nascer, como ontem. Senta-te, ele amanhã estará de volta, e depois. Por isso, escreve uma página de cada vez. Resguarda-me nas notas, o jogo começou.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O hoje, do amanhã

Tive medo de sair à rua, hoje. A rua era laranja, forte, na iluminação nocturna que indicava mal o percurso. O céu, branco nas poucas estrelas reluzentes, era o ponto de partida para o meu medo exterior, e para apagar a tal fúria induzida pelo teu perfume. Sim, aquele odor permanente nas paredes da minha casa, infiltrado pela pouca presença que me tinhas presenteado. Abro a porta, aquela pela qual nunca entraste, mas que teimas em sair. O tapete permanece intacto, depois do desgaste do teu sapato alto, fino como o alfinete da tua dor, espetado em mim como um cravo em plena revolução. Saio contra tudo, até contra mim. Oiço o teu silêncio em repetição a partir dos fones, que me acompanham. O medo permanece, a dor também.
A rua escapa-me nos passos trocados que tento dar ao acompanhar-te em palavras. A pontuação que usas tornou-se a minha esquina, encabeçada pelo STOP ao fundo da rua, proibindo-me de continuar a escrita. Sinto-me tentado, encorajado pela força do vento na escuridão da noite. Os passos são mais curtos, menos densos, o ar irrespirável em cada gole da vida que insisto em desprezar. Esta noite, sou o estranho em cartaz na glória da descoberta.
No caminho à tua casa, longíqua e abandonada, destroçada porém, a sombra do desconhecido assombra me no pensamento que insisto em afastar. Infiel à força da mão, arrasto te entre dedos sentindo o teu cabelo nesta volta, quase perfeita. Estás a fugir, não soltes a minha pressão que será a tua saída deste labirinto a descoberto.
Consigo sentir a tua presença nesta solidão intensa que percorre cada traço da minha feição. O sorriso já se escapa entre linhas e palavras desordenadas num texto escrito ao contrário, invertendo o relógio no soltar da lágrima. Hoje, no amanhã, sinto a tua presença mais perto do que o sentir de ontem. Aquele sentir demais para a minha pequena dimensão que me estraga em sorrisos e me leva a voar baixinho, junto ao chão, junto á realidade. A noite abriu noutro laranja, mais profundo, mais horizonte. Aquele laranja que pinta o nosso fundo, aquele fundo descrito nestas palavras que me faz lembrar que exististes no amanhã do meu presente. Insisto em gritar, junto à tua pele, que fazes parte do meu respirar lento, eficaz. Digo-te, com os olhos em ti, que este é o hoje, do amanhã.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Quem és tu?


Tudo o que eu sei de ti resume-se a uma folha rabiscada com meia dúzia de palavras, descrevendo-te na perfeição, toda amarrotada e deixada abandonada a um canto. Senti necessidade de escrever em vários papéis tudo o que eu pensava de ti, mas nenhum era mais completo do que o anterior, que eu tinha rasgado. Decidi então telefonar-te, mas cada vez que ouvia o sinal da tua caixa de mensagens, já me tinha esquecido do que o coração me havia mandado dizer. Ainda pensei em escrever uma mensagem, mas parece que as teclas andavam trocadas. A culpa não era minha, a paixão é que era imensa!

Sai de casa na esperança que as luzes tão repetidas da abandonada rua me levassem a alguma forma de te recompesar, pelo sorriso que me dirigiste ás 16:04 na porta do café mais próximo da tua casa. Ainda hoje tenho o vídeo guardado desse sorriso, a passar repetidamente na minha mente e, mais recentemente, no meu coração. Pensei em arranjar uma flor tão bonita como tu, mas a florista não tinha rosas especiais nem flores do outro mundo, pelo que continuei a observar as luzes rua fora.

Passei pela papelaria, mas até os forretas cartões de amor eram mais fracos que as minhas fúteis palavras. Pensei em escrever um livro só sobre ti, mas precisaria de colecções enormes só para conseguir dar um significado ao teu nome que não fosse o que o meu interior tanto repete, vezes sem conta. E mesmo assim, acho que metade de cada página seria em branco, só para deixar o leitor a imaginar cada maravilha tua.

No fim da rua, um cinema. Tanta vez que me imaginei ali contigo, num filme de puro romance, quase de chorar. Quase que me apetecia comprar dois bilhetes, só para dizer que um seria para ti. E depois, ver o filme duas vezes, para me imaginar contigo a dobrar. Até tinha comprado pipocas, partilhamos?

Imaginava-te sentada no sofá, a ver o que não te apetecia, sempre que passava pela tua porta verde, com o número 51. Até já tinha decorado os hábitos dos teus vizinhos, só de passar ali sem propósito algum. Parece que todas as ruas iam dar á tua, que coincidência! Hei-de sair daqui, apesar da tua porta parecer um beco sem saída.

Cada raio de sol refletido no rio faz-me lembrar de ti. Costumo passear junto a ele na esperança que faças o mesmo, e que possamos encontrarmo-nos completamente por acaso. No entanto, continuo sem conseguir uma razão racional para te mandar uma flor, e não uma caneta. Ando confuso, sem norte. Só para teres noção, até dou por mim a ver-te em todo o lado, sem sequer lá estares.

Quando estou sentado na cama, a olhar intensamente o papel onde te descrevi, penso que esgotei as formas de pensar em ti. Ou de te compensar só pelo teu sorriso. Aquele sorriso. Amanhã lembrar-me-ei de uma forma diferente de pensar em ti, nem que seja naquele topo da montanha, onde possa ver tudo á minha volta, incluindo tu. Tu e tu. No fim de tanto pensamento, quem és tu?

6.
Foto de José Boldt

domingo, 12 de abril de 2009

Idades temporais


Não existem dias perfeitos. Apenas, as horas atrás de horas num relógio que não pára. A claridade do dia contrasta facilmente com o cair da noite, tão rápido que nem sentes o seu fim. Ou o seu início. Ou o seu decorrer, com o forte raiar do sol entre pequenas nuvens.
Nessa tarde, o sol preferia manter-se entre duas tímidas nuvens. O vento também não parecia interessado, remetendo-se timidamente entre o nosso respirar. De resto, a vida normal de um dia a dia aparentemente alegre, onde se mistura a beleza do jardim com a agitação permanente de que passa por ali.

No entanto, o simples banco verde chamava por mim, a idade já não perdoa. As pernas haviam sido jovens, em tempos, mas agora resguardam anos de intensas caminhadas. Ou correrias atrás do que eu pensaria, algo novo. Até o simples gesto de sentar parecia-me um eterno descanso, preferindo sentir a agitação alheia. De olhar atento, percebia-se o confronto de idades que eu tanto gostava de apreciar. E passando a mão pela rugosa cara, sentia que aqueles já haviam sido os meus tempos. Restava-me olhar, e nada mais do que apreciar sentado num banco de jardim. Repetia isto três vezes por semana. Tirando as que passava no médico, ou as que preferia outros locais com um simples banco de jardim. Como eu gostava destes bancos, como já gostara de viver.

Ali sentado, apreciava o meu redor. E imaginava-me, rejuvenescido como nunca, correndo atrás de uma bola, com dois colegas a gritarem comigo insancemente á espera de um passe. Junto á vedação, as meninas, tímidas, á espera que o seu preferido jovem lhes dedicasse um golo. Ou dois. Mais á frente, o início do parque, e da vida. Cada mãe passeava um pequeno carro com um bebé, orgulhosas como nunca. Também me senti orgulhoso quando os meus dois filhos decidiram nascer. Ou até o meu pequeno neto, agora um daqueles corredores atrás da bola. Essa, uma das razões que me faziam estar ali.
Debaixo desta árvore, imagino os meus tempos de criança. Diferentes e iguais, à vida de uma simples criança actual. Pensar que tudo passou sem o devido proveito. Pensar que dos meus trinta anos, passei para sessenta, numa rapidez invulgar que nem eu sei explicar. Pensar que sou culpado por esta falta de anos que se nota em cada passo meu. Pensar que com a preocupação de seguir em frente, de procurar trabalho e de me alimentar como o médico me sugeria, perdi a noção do que é sorrir verdadeiramente. Soltar aquela gargalhada que te faz perder o ar, ou sentir o raiar do sol mesmo por dentro de nós. Ou até de correr entre amigos atrás de uma bola de trapos, como em tão poucas vezes fiz. Ou até de piscar o olho àquela menina que tantas vezes me via a passear, sem eu próprio ligar, preferindo seguir com o rosto rosado, fugindo á minha própria adrenalina.

Hoje, sinto-me culpado pelo que vivi. Mas principalmente pelo que não vivi. Pelo que me resta observar a juventude que á minha volta circula, dizendo repetidamente ao meu neto:
Não deixes de fazer porque pensas que amanhã aparecerá a mesma oportunidade. Faz do teu dia de amanhã, o teu dia de hoje. E verás que quando chegares aos meus sessenta, já terás vivido eternidades.

Feliz pelo meu neto, já era hora de ir embora. A hora de jantar estava marcada, e aquela doce menina que antes me seguia com um sorriso, agora estará zangada se não chegar a horas. Devagar, lá chegarei. Até lá, vou aproveitando o sol. Amanhã, até pode ser que chova. Nunca se sabe...
.Foto de José Boldt

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

What's wrong ?

O que se passa ... ?

Fúrias interiores distorcem o meu caminho. Tornam-o ofuscante, levando-me a destinos por mim não procurados. Passados presentes, que eu afundo no meu horizonte, voltando como um híman sempre que caminho. Caminhos desbravados, às vezes sonhos, quebrados por incapacidade própria. Ou dos outros. Descobertas tenebrosas, levam-me a cair em cada falha no meu caminho. Erros fatais, tornando horizontes negros, onde a saudade é o objecto principal da minha agenda.

Mas, o que se passa ?

Hoje, o vento sopra em sentidos contrários. O sol ilumina as sombras da cobardia, com o carácter fortalecido. A chuva cai esporadicamente, mostrando a minha fraqueza em demasia. Luto fortemente contra os ventos que se debatem, em busca da brisa permanente. No fim, descubro que sou fraco demais para acreditar em mim, quanto mais no dia de amanha. Por isso, esqueço a metereologia.

Conta-me o que se passa.

Sabes o topo da montanha ? Sonho escalá-la para poder desce-la de forma impetuosa, correndo o sangue nas veias sem fulgor.
Sabes da vitória ? Espero perder. Só assim, saberei o que é ganhar.
Sabes do amor ? Então esquece, que eu não o quero.
Sabes da dor ? É o meu dia a dia. Não te aflijas, tou habituado.
Sabes o que sentes e o que o teu redor te mostra. Sabes o que queres porque a tua ânsia aumenta cada segundo que não tens. Sabes do passado, porque vives o presente a caminho do futuro. Sabes o que é teu, eu sei o que é meu.

Continuo sem perceber. Explica-me

O meu mundo, é assim. Confuso. Perco literalmente o que procuro antes de tentar procurar. Escrevo na minha mão o futuro risonho que desejo, mantendo no coração o árduo passado que quero apagar. Mas não tenho coragem. Todos os dias sobrevalorizo a minha imagem sobre os outros, imagino-me maior. Chego até a tocar no céu com bravura, buscando as respostas diárias que ele me oferece. Perco a minha sombra por momentos, quando o meu medo interfere, perdendo o dia de amanha. Sou audaz em sofrimento. Nos outros, em mim. Um ciclo viocioso onde não gosto de estar, mas que dele não saio. Sou frio a procurar soluções, algumas que nem quero ter. Por vezes, são saídas, mas a coragem faz-me tremer e recuar.

Falta a parte positiva, nem tudo em ti é mau.

O único que guardo de positivo em mim, é a memória. Do que outrora fui. E a esperança. Que serei feliz, pisando o solo que imaginei, rasgando as folhas que quero rasgar, idolatrando cada acção, sonhando ao nível dos meus objectivos. Um dia...

Ele levantou-se. Colocou-se a meu lado, com a mão sobre o meu ombro. Era tão leve. Murmurou-me:

A folha solta-se da árvore. O rapaz tropeça, sempre que procura andar devagar. A carta não é entregue, falha na escrita. O cobertor protege-nos, como uma fortaleza. O grito ensurdecedor cala-se, perde a força. O resto, são momentos.

E desapareceu. Misturou-se no pesado ar matinal. E eu, lá prossegui o meu percurso diário.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ainda...

Ainda procuro o que deixaste para trás. Aquela pequena recordação, símbolo de felicidade. Anda perdida desde que me abandonaste no deserto do paraíso, incrédulo, a ver-te partir sem sequer olhares para trás. Foi duro. Tentei por tudo ir atrás de ti. Correr, chamar por ti. Mas até nisto, o meu corpo era teu, e obedeceu-te. Infelizmente.

Ainda ambiciono o que não tenho. Chama-me de ambicioso, eu gosto. Repete. E no fim, chama-me de aldrabão, porque quero tudo ao mesmo tempo que tento ter nada. Bate-me, mereço. Outra vez. Não sou fã do masoquismo, mas mereço porque até agora, fiquei parado. À espera que o 'tudo' venha até mim. E como sempre, não veio.

Ainda tento sonhar. Daqueles sonhos que todos gostam de falar, relatar a toda a gente. Medíocres, digo eu. Sonham alto de mais, e não têm pára-quedas na sua imaginação. Sendo assim, não sou medícore, mas sou pobre. Não consigo sonhar, não faz parte de mim. Ajudas-me? Diz-me como se faz, talvez consiga se me concentrar. Vá, ajuda-me, peço-te. No fim, digo-te como se voa.

Ainda procuro encontrar quem sou. Sou isto, aquilo e o que não sou. É difícil! Sei que sou isto, ás vezes sou aquilo, inocentemente. Outras vezes, contra mim mesmo, sou o que não quero. Juro que és tu que estás a controlar-me, acho que praticas voudou. Se praticas, esquece-me. Gosto da simplicidade, por isso não me mereces.

Ainda procuro a felicidade. Ou o fim da tristeza, para mim é o mesmo. Já te contei daquela agonia permanente? Em que refilo comigo mesmo, por não conseguir sair de um buraco? Ajuda-me, dá-me uma escada, e sobe comigo. Um dia, terás uma recompensa.

Ainda ...

Ainda ...


AINDA ...

Já reparaste, que não fiz ainda nada? Ainda procuro, tento, ambiciono, TUDO. Neste momento, tenho NADA. Opostos. Porque chatear-me? Devia contentar-me porque neste momento tenho NADA, e procuro o TUDO. Se um dia encontrar, aviso-te. Estás contactável? Sinto que não faltará muito, a vida é tão curta. Olha para o relógio, conta o tempo se faz favor. Conta quanto tempo demoro a conseguir o que procuro. Se me sentir pressionado, talvez consiga. Achas que sim?


Ele não contou. Parou o relógio. E disse-me: ' Esquece. Tu não procuras nada. Olha para ti. Pensa. Tens tudo. Tens vida, respiras com coragem e és livre. Eu tenho muito menos, e considero-me feliz. Faz o mesmo. Sorri. Continua a ser o que tens de melhor á borla! '

Fiquei sem resposta. E furioso. Não com ele, comigo mesmo. Como pude deixar isto escapar ... O sorriso... Sabes sorrir?


Ontem falava com um amigo. O poeta. Ele enviou-me duas músicas, e perguntou.me o que eu sentia ao ouvi-las. Disse-lhe que leve, porque imaginava o nada e sentia cada nota da música. O resto? Conversa que quem gosta de trocar palavras...

domingo, 11 de janeiro de 2009

O verbo viver

Andava um dia pelos lados do desconhecido, vagueando entre perguntas sem resposta e afirmações sem nexo. Andava também indeciso qual delas me facilitaria o caminho para o que procuro. Era em vão, ambas ficavam indecisas. Decidi, no entanto, abranger o meu conhecimento com o mundo que me rodeava. Pequenas inteligências rodeavam o meu ser, ameaçando o meu percurso que estava marcado no chão. Pelo menos, eu via-o, era o mais importante. Aproximou-se um senhor de mim, curioso, como quase todos, e perguntou-me:

'Porque anda você às voltas num sitio tão perdido, parece não saber o que viver no segundo seguinte'

Tinha vontade de lhe responder mas, em vez de tal acto, decidi perguntar-lhe:

'Sabe o que é viver?'

Indignado, o senhor esboçou uma cara de poucos amigos, pegou na minha mão e disse:

'Viver, é o que o rodeia faz todos os dias. Cada um vive, mas nenhum sabe como'

Agora sim, apeteceu-me rir. Ás gargalhadas. Não pela ignorancia do pobre senhor, mas pela 'forma de viver' do mundo que me rodeava. retribuí-lhe o gesto. Peguei na sua mão, cuidadosamente, e disse-lhe:

'Acha que isto é viver? Olhe á sua volta... O que você vê, são pessoas perdidas, num mundo perdido. Elas seguem o seu percurso, indignadas, porque não sabem explicar cada passo que dão. Todo o mal que lhes acontece é causado por Deus, e toda a sorte é derivada das suas supostas boas acções. Acha isto viver? Faça assim. Pegue no seu ser, continue neste passeio sem destino. Olhe para tudo, sinta a estrada por debaixo dos seus pés, sinta a brisa, cheire o ar, aventure-se no impossível. Quando decidir que sente tudo, pare, e sente-se. Ainda não sentiu nada, está simplesmente cansado. Cansado de não viver. Se ignorar o mundo todos os dias, e olhar para o seu, verá que aquela senhora do outro lado da estrada chora porque não sabe sorrir, aquele senhor julga-se feliz, porque só conhece a tristeza. Quer mesmo viver ? Então força, vá em frente, ainda vai a tempo .... '


Por fim, lá foi ele. Indignado talvez, mas curioso. Como todos. E como a curiosidade mata, foi atrás do seu mundo. Não o que o rodeia, mas aquele que lhe diz cada pedacinho do verbo viver...


Em conversa de messenger, também se escreve. Para a Anna, ela não sabia o que escrever no blog. E eu, que tenho exame de história da arquitectura amanhã, lá lhe fiz a vontade.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Call me a stranger...

Diferente. Efusivo. Confiante. Marcante. Sorridente. Alegre. Poderoso.

Outrora, ele foi assim. E já não é. Tempos e tempos, mudaram o seu ser, de propósito, inocentemente, sem ele próprio perceber. Dificil de acreditar, impossível de prever, coisas de destino.



Em cada passo, um sentido de vida. Tão simples definir o que sentimos, tão mágico cada segundo que o ponteiro do seu relógio percorre, avançando lentamente no decorrer de cada instante. O seu contar até dez durava mais que o habitual, a sua paixão fervilhava junto a pele. O seu respirar era forte em emoção, a sua força inquebrável. Poderia vir o pior, ele olhava para o melhor.



Era feliz.



Não havia razões de explicação. A vida não precisa de nada para que seja compreendida. Precisa, sim, de ser vivida. Sentida, percebida, levada ao extremo. É preciso perceber o que nos faz sentir, imaginar, compreender, sonhar. Encontrar o nosso lugar.



Ele havia encontrado, era feliz.



Caminhava para o que ele imaginava ser, o seu sonho. Aquele sonho que tanto lutou, desbravou, caminhou em terrenos perigosos. Lutou com tudo o que havia conseguido reunir de forças, e até as que não tinha. Conseguiu. E o tempo passou. Agora, tudo é nada. Tudo se esfumou por entre frustações constantes, desilusões inesperadas em segundos longos e tenebrantes. Tudo era dificil, e ele percebeu.

Do nada, era infeliz.

Dificil de perceber ? Talvez.

Imagina-te agora, como sempre sonhaste ser. Para ti, a definição de perfeito. Ou quase. Imagina-te a caminhar sorridente pela rua, com tudo o que desejaste. Para ti, és feliz. Agora imagina, que nada disso existe. Nada é perfeito. Imagina-te um vulgar rapaz num mundo complicado, imagina-te um pequeno ponto num quadro enorme de pontilhismo, ainda a tinta fresca. O que te faz seguir em frente? O que te faz ir atrás do que desejas?


Nada.


Antes de mais, fecha os olhos. Fica surdo. Esquece o mundo. Ele não importa.
Agora, sente o exterior. Sente o teu fim, a morte. Sente o ar. Sente o chão. Sente o sol, e a chuva. Simplesmente, sente o que em redor de ti se dispõe, pensando interiormente. Quando sentires o que é viver, não precisas de sonhar. És feliz.

Foi isto que ele perdeu. Já não tem. E quer recuperar. Tanto ele, como eu. Eu, ser humano. Um dia fui assim, hoje não sou. Um dia..

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Magia

Senta-te, e observa. Não fales, eu gosto do silêncio. O silêncio é bom companheiro quando sabemos ouvir, quando percebemos o que ele nos diz. Porque ele também nos ouve. Observa o que diante de ti se apresenta. Gostas? Não me respondas, vejo o reluzir dos teus olhos. Vejo o reflexo deles. Vejo a tua lágrima, vejo o que sonhei ver, vejo. Sonhei tudo o que podia, deixei a hipócrisia de lado e imaginei o que consigo acreditar. Algo plausível, não gosto de cair. Vira-te para mim, e conta-me. Espalha esses teus desejos, quero fazer parte deles.

A segunda lágrima caiu.

E uma terceira também.

Limpas a cara com uma mão, levemente, num gesto rápido e eficaz. O silêncio és tu, agora. Larga a palavra, que eu fiquei sem ela quando senti o coração. Quando ele acelera, demais até para poder respirar. Viras-te para mim, olhas-me nos olhos, e paras o tempo. Vejo-me no reflexo das tuas lágrimas, no teu rosto estranhamente feliz com este solene momento. Em vez de palavras, uma quarta lágrima. E uma quinta. E uma sexta. Limpo a sétima, sentindo o que sentes. Quando falas, o momento é mágico.

' Seria triste não deitar a lágrima. Ela é o conjunto das minhas palavras, e do meu sorriso. Deixa-a correr, ela seguirá o seu curso. Mas não te vou agradecer. Porque tudo isto é um momento, e eu qero tê-lo contigo. Tu és meu. Só meu. Sei que não queres um obrigado. Por isso, dou-te esta lágrima. '

Abracei-a. Senti-a bem junto a mim, cá dentro. Não há forma de fazer alguém inteiramente feliz. Impossível. Mas sei hoje, e amanhã, e depois, que momentos como este valem o que de mais valioso sentimos. Posso ser cruel, e sou, mas isto é viver. Viver é tudo, e nada.

Olha-me. Esquece o mundo, esquece tudo. Foca-te em mim, eu sou o mundo. O teu mundo. Lembras-te do dia, do primeiro dia? Aquele em que te riste do que falei, aquele que sonhaste ser aquela pessoa, a tal, a mais feliz, que te sentaste no passeio e te julgaste pequena, que viste as estrelas e tentaste contá-las, que saltaste e sonhaste voar. Eu não me esqueço. O que consideras poder esquecer, eu faço disso a minha principal memória. Faço do teu sorriso o meu diário. E escrevo o que sonhas. Um dia, irei realizar todos os teus sonhos. Um a um.

Olhamos os dois para o horizonte.

Recuas dois passos, e voltas para trás. Eu sigo o teu caminho. Afastamo-nos daquele momento, felizes. A vida é assim, momentos. O que de tão bonito eu lhe mostrei? Nada. Uma simples paisagem. Com um por do sol. Daqueles diários.

Podes-me criticar, mas não sentiste. Um momento único não é o que preparas, é o que acontece. Podia prever o sol, mas sentiria mágoa. Sei que ele vai ali estar, não gosto. A lágrima caiu, porque fomos nós. Eu, e ela. Só os dois. Num acaso da vida, a sonhar com o que de bom somos.

Se te contasse, perderia a alegria que sinto ao ter essa memória. Por isso esquece. Foge. Posso não vir a ser feliz, mas guardo bem o que outrora me fez feliz. Não sonhes, vive. Isso será o que gostarás de guardar...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O fim

Experiências angustiantes. Falsidades duradoras. Sofrimentos infindáveis na luta contra o passado. Ou contra o presente, esquecendo agora o futuro. Obscuridades presentes num tempo indefinido. Por vezes contínuo. Por vezes solto. Por vezes ..

Selecciono pedaços do que pretendo eliminar. Não tudo, apenas partes que acho irrelevantes. A irrelevancia trás-me o que pretendo, a certeza de que não trago comigo o passado. Aquele em que tu entras, nós entramos, eles entram. Personagens principais de memórias por apagar. Por esquecer. Acima de tudo, por desvendar. Sou audaz na luta contra mim próprio. Venço e perco em simultâneo. Incriveis factos de uma vida, de incertezas. Por mim, tudo acabava agora. O fim.

Anseio que chames o meu nome. Que o grites, que o escrevas, que o repitas um número de vezes infindável até ele ficar gravado. Queria ouvir-te, mas não consigo. Fechei-me sobre quatro paredes e um tecto impossíveis de transpor. Fui trancado sobre mim mesmo. A saída permanece invísivel, e não tenho vontade de jogar este jogo. O das escondidas. Por isso, acomodo-me. Não é desconfortável, e a escuridão já faz parte de mim. Por isso repito, o fim.

Mesmo livre, sinto-me preso. Incrivelmente preso a algo que não recordo. Que não sei. Sou uma mistura de lembranças com o presente, de sonhos com mágoas. Sou isto, e aquilo. E o que não sou também. Sou indefinido. Ainda não me encontrei no meio desta escuridão. Ela parece eterna. Ela é eterna. Se luto, caio. Se me levanto, volto a cair. Se me sento, empurram-me. Sou fraco, admito. Não sou o único, mas sinto-me sozinho, perdido. E a minha maior fraqueza é pensar que posso ser forte. Daqueles que não caem. Daqueles que conseguem ser o que querem ser. O que são. Sou fraco agora, e no fim.

A ajuda veio. Mas não chegou a mim. Ficou perdida nesta escuridão que me envolve. Outra vez a escuridão. Não vale a pena lutar contra ela, eu perco. De certeza. Estou farto de ser o passado no presente que sonha o futuro. Um conjunto de tudo e de nada. Um ser perdido, sem nada. Não sonho ser feliz, sonho desaparecer. Sonho fugir logo que apareça a saída. Fugir daqui, para longe, bem longe. Nunca mais voltar. Ir para o início, provar que sou o que sou. Ou seja, nada. Mais uma vez, sinto o início do fim.

O fim. Fim de tudo, o fim. Aguardava este momento, sempre. Não sei o que pensar, sei que sou nada. E que este, é o meu fim.

Agora, quero ser. Quero estar. Quero voltar á inocência perfeita de cada momento. Ao inesquecível. Ao possível. Quero crescer, ter a vontade de o ser, o sorrir. O fim é o início.

Por isso, quero o fim. Este fim.

sábado, 18 de outubro de 2008

LD @


Não há como fugir a duas palavras amigas quando nos definimos como guardiães da amizade. As palavras escapam-nos, os gestos multiplicam-se, podemos lutar mas sabemos que é feitio. Não havia como escapar a ti, no meio de um mundo desconhecido e por vezes perdido, não havia como não te estender a mão, apanhar-te no meio de um enorme turbilhão e resgatar-te para um local seguro, livre, sonhador ...

A palavra segue outra, inconstante num seguimento de frases impossível por vezes de acompanhar. Mas ao que chamamos de conversa, defino eu como o encontro dessas palavras, fazendo sentir-me uma pessoa notória no teu discurso simples e voador.

Fugimos ao mundo. Escapámos ao remoínho de emoções que pairava á nossa volta, isolando-nos num pequeno mundo onde és a minha magia. Ao fundo, o rio. Sempre indiferente a este mundo, sempre grande, sempre presença marcante na paisagem. Por cima a ponte, com reflexos automáticos num rasgo de brilho que se avista no rio. No topo, o céu. Carregado, mas em sintonia com a nossa presença, abrindo, vislumbrando nós a nossa saída para a imaginação voar.
No fundo, estávamos nós. Eu e tu, tu e eu envolvidos no nosso mundo, á beira de uma paisagem, marcando-a fortemente. Não há descrição possivel quando o sentimento é puro, verdadeiro, real.
Naquele momento, senti-me no céu, como uma estrela a luzir para quem me pudesse observar. Era livre, mas preso a ti, feliz mas partilhando tal sentimento contigo, dividindo perfeições num mar de incertezas, mas coberto de vontades.
No fim, encontro o início. Início de mim, início de ti, início de nós. Não há muito a descrever, há sim a sentir. Sentir a perfeição que procurávamos, sentir cada momento por mais especial que seja.

Agora, sou eu e tu, nós @ LD'

'Because tonight will be the night
That I will fall for you
Over again
Don't make me change my mind
Or I won't live to see another day
I swear it's true
Because a girl like you
Is impossible to find
You're impossible to find '

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sonhos..


O sol nascia. Levemente, como quem pede autorização para se impor nos céus. O seu reflexo já deixava rasto no interminável mar, tornando-o uma longa passadeira no caminho da luz. Era bonito de ser ver, convidando-nos a imaginar o que de bom podemos sentir.

Felizmente, partilhava aquele solene momento no erguer de um dia contigo. Tu, companheira de vivências, de sentimentos, de indiscrições permanentes numa vida imparável. Até o simples nascer do dia era visto como perfeito no meio de tudo o que nos rodeava. Era só tu e eu, eu e tu.

Não havia forma de puder transmitir. Dificilmente conseguiria, mesmo que as palavras me surgissem implorando por surgirem. Há momentos assim, incertos, intemporais até, que não se transmitem, sentem-se em todo o seu esplendor. Não são dois seres num momento, mas um momento num tempo com um pulsar incerto.
Tudo em ti é perfeito. O teu simples sorriso, a tua leve maneira de ser, a tua coragem numa imaginação pura, o teu fio de cabelo, o teu pesado toque, a tua doce palavra numa harmoniosa melodia.. Não há como chamar-te bela, sendo tu o topo de um conjunto de qualidades impossiveis de conjugar. A tua presença faz-me encher o peito de enormes rasgos de felicidade, prontos a denotarem-se num timido sorriso, escondido no meio de cada palavra tua.. Sou feliz !

O sol raiava na sua perfeição. Tenebroso, iluminava cada canto, indicando um numero infinito de caminhos que me fazem perder e voltar a encontrar-me ao sentir o teu toque. Não há como negar o meu voar nos céus, tocando na lua por vezes, sonhando o minuto a seguir a este que passa, e que estou contigo. Quando não estou, desencaminho mundos e submundos na maneira mais vital para te sentir como nunca. Nada é impossivel, o impossível é tudo.

Vem. Pega na minha mão, segura com firmesa, e sente o chão a fugir. Mostra-me o teu sorriso, transmite-me a tua segurança, indica-me o caminho neste céu interminável, faz-me voar ! Sem ti, o chão regressa com choque, surpresa até, o céu impõe limites e o sol, outrora imponente, põe-se com todo o silêncio por trás de uma timida colina. Não largues a mão, não me percas, és tudo !


Porém, a escuridão tomou lugar. Ao fundo, uma pequena luz indicava a saída deste vazio tenebroso. Aproximava-se apressadamente, dificil de esperar, de aguentar ! Por fim, a luz chega. Ao fundo, o nascer do dia através de uma modesta janela. Agora sim, o sol nascia, como havia nascido sempre, num fundo impossivel de tocar, impossivel de imaginar ... Agora sim, acredito. Sonhos e imaginações sao realidades impossiveis, mas raras excepções numa vida que se baseia no meu, no teu, no nosso acreditar !

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A importância de um sorriso ..


Mágico. Incrivelmente mágico num mundo composto por pequenas surpresas. Não é fácil esquecer o que mexe conosco de forma tão forte, tão única. Seria demasiado fraco arriscar, mas agora sim vejo-me como um mestre no controlo de um tempo que já foi nosso.

Ás vezes pergunto-me, mas como ? Será isto possivel ? Desejaria ter um enorme controlo sobre o que dentro de mim acontece, adivinhando cada tempo de reacção ao forte pulsar do coração. Mas não. Prefiro assumir o que fugazmente me atinge num acto de melancolia perante a destreza da vida, acreditando nas coisas boas. Como tu.

Voltaste. Preferia dizer que te descobri depois de te esconderes estes largos meses de uma vida complicada. Mas depois de rastejar perante o que de mal me acontecia, sinto que me devolveste o sorriso na altura perfeita. Aquele largo sorriso que enche o peito de esperança, que me faz ficar incrivelmente ausente no teu mundo com a tua imagem como fundo. No fim, vejo que nunca te separaste de mim. Diria até que o coração ultrapassa os limites de força no seu bater diário sempre que a tua imagem surge dentro de mim. As forças voltaram, a esperança renovou. Por ti, sou outro.

Agora, resta-me sonhar com a tua presença. Olhar-te nos olhos e esquecer o mundo enquanto sinto a tua doce pele, oiço a tua suave voz ecoando dentro de mim. Sonho passar contigo de mão dada junto a um por do sol, iluminando as nossas sombras tornando-as insignificantes perante tanto carinho. Sinto-me um gigante nesta vida, uma pessoa nova e até indiferente, porque a vida se baseia num sorriso, e tu criaste-me um que me tornou feliz.

Porque a vida só faz sentido vivida, e tu acabaste de dar um novo significado á minha.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

'Amizades'

Devastador. Incrivelmente devastador. Como certos dias, onde a chuva rompe o ceu azul mostrando o lado negro de um horizonte diferente. Nao há como, nem porquê, mas acontece. E tudo se baseia numa verdade, algo que nunca conseguirás atingir seguindo por caminhos diferentes aos teus principios.
Amizade. Seria demasiadamente ingénuo ao não meditar sobre o que nos enche mais o coração, mas igualmente estúpido para ignorar o que á minha volta acontece sem a mínina possibilidade de percepção. Não culpo, muito menos critico e julgo, mas tenho ao menos a possibilidade de explorar o revés que sinto em cada acção indirectamente ligada a mim, que estrondosas consequências se reflectem no meu já complicado caminho.
Porém, não dramatizo. Sou capaz de compreender tais razões impossiveis de imaginar, mesmo não havendo saída. No fim, tudo tem uma razão de acontecer e eu ainda procuro o berço de tudo isto.
Mas porquê ? O que designas tu por amizade ? Ajuda nos momentos críticos, e desprezo nos nossos momentos de extase ? Inquietação por melhores dias, ombros que colhem as tuas lágrimas, e no fim uma fuga quando essas lágrimas são as nossas ? Seria fácil a resposta se me visse na pele de certos 'amigos', certos companheiros de alegrias e tristezas que no fim mostram o que realmente valem : nada.
Sinto-me abandonado, desprezado e até usado por amigos que eu denominei dos melhores, por amigos com quem lutei e ajudei até não poder mais, por pessoas que acima de tudo, tinham o meu respeito e a minha amizade. Poderei enunciar um conjunto de diferenças entre conhecidos e amigos, mas todos sabemos que essas diferenças nunca passarão de igualdades que nos farão confundir os dois termos.
No fim, sei que luto sozinho. Cada pessoa sonha, e para isso busca o seu próprio caminho usando as pessoas que usam o bem como forma de vida. É triste, ás vezes devastador, mas é com estes erros que um dia, nos ensinarão a separar estas pessoas, desprezá-las também, num acto de fúria e até precipitado, porque o que para nós são lições do passado, para outros são simples exemplos de um caminho mal escolhido. Por isso, não te apoies demasiado. As fundações dessa amizade podem demonstrar força, mas cedo perderão força em simples actos que para ti significarão o fim ...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Give up ?

Desistir. Não chamar-lhe-ia de fracasso, mas sim de uma pequena vitória. Sinto-me fraco, de joelhos perante este mundo incapaz de me ajudar. Em baixo, triste e indiferente ao que me rodeia. Mas a força não está na forma como seguimos o nosso rumo, nem como conquistamos as nossas hárduas tarefas. Esta na forma como nos levantamos. Na forma como enfrentamos o que nos faz desistir, na forma como nos enfrentamos numa luta solitária onde tentamos que os medos se afastem, a vontade impere e a força nos leve a acreditar. Acreditar no possível, na certeza do impossível querendo conquistá-lo quebrando barreiras que nos façam exceder o limite. Aquele nosso limite, que achamos uma barreira demasiado grande para ultrapassar.
Dai levanto-me, e procuro a razão deste acto tão dificil de executar. Olho para o infinito, e sorrio. Porque o nosso sorriso, por mais triste que seja, é um começo depois de um duro fim, é um principio de uma longa etapa, é a base da nossa conquista. Se te queres erguer, pensa: a vida não foi feita para tristezas. Foi feita de etapas. Há dias bons, maus, longos e excitantes. Há o começo, o fim, a luta e a vitória. A vitória quando perdemos, quando damos valor ao nosso esforço, a vitória que nos faz louvar, que nos faz avançar e que nos enche de esperança. Há a barreira, a queda, a amizade e a liberdade. Quando se conjuga isto, podes dizer que estás a viver. Não o simples viver, mas sim aquele viver sentido e excitante que te faz contar o tempo. Ver o relógio andar lentamente, sem parar.
Por isso, nao desistas. Levanta-se, sorri, pensa no que te faz viver. Aproveita algo único, faz-te feliz. Porque quando te sentires feliz contigo mesmo, sentirás a excitação da liberdade. Voarás por entre mundos, sentirás a ofegante respiração de uma vida. Verás, nem que seja por pouco tempo, que a vida vale a pena.
Por isso, sorri. e acima de tudo, vive ... o mundo não acaba amanha, mas imagina que termina ...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Fins ..

Diferente. Insolúvel na vida, não á volta. Aconteceu, e acabou. É estranho olhar o céu, ver o dia, respirar este ar que todos os dias nos envolve. É simplesmente, diferente.
Gostava de acordar deste enredo em que adormeci. A vida parecia boa, era vivida, sentida, e até intensamente procurada nos longos segundos que passam. Olho o mar, a razão, olho a cor, olho em redor e vejo que tudo mudou. Já não procuro a alegria, porque sinto a tristeza. Deixei de ver o que de positivo a alegria me traz, porque encarei a dura realidade de ser como sou. De ser assim, de estar assim, de qerer ser assim e de falhar assim. Era bom acordar de manhã, levantar para a vida e sonhar que iria voar por entre estes obstáculos que crescem á minha volta. Agora, sinto-os como barreiras de uma grandeza inantigivel, de uma contrariedade tal que nem me vejo a ultrapassá-los. As forças cairam, a vontade fugiu, a ilusão voltou e eu, perante este mundo cruel, baixo os braços. Acabou. Lutar ? Não. A vida não sao lutas, são ganhos. Não sao exemplos, sao certezas. E eu sei que sinto que a razao leva.me a este estado involuntario em que me perco em pensamentos de como tudo seria diferente se .. se e ses que completam uma ilusão em que me escondo. Não desisti, simplesmente aceitei. Porque sei que a minha luta nao causara diferença, porque sei que eu n mudarei um caminho, porque sei que nao alterarei nada. Porque acima de tudo, sei como a vida me ganha e que, neste momento de solidao extrema, conjugo o verbo 'sentir' .. sentir fortemente esta vida e, de braços para baixo, olhar o ceu á procura da resposta ... resposta respondendo á pura ilusao da vida.

sábado, 17 de maio de 2008

Azóia

“Escrevo. Simples palavras que me conformam o espírito, ou que simplesmente o atordoam... Ordeno-as calmamente, num grito pela liberdade que elas me trazem. Procuro-as, chamo por elas na tentativa desesperada de elas soltarem o que sinto, a árdua dor da alegria no contraste com o vazio da mágoa.
Quero um abrigo. Abrigar-me desta agitação que o mundo cria, onde me envolve espontâneamente numa acção vulgar. Pediria o sol se fosse preciso. Teria vista privilegiada para um manto azul que envolve um mundo terrestre. Mas não. A excentricidade leva-me a momentos de loucura impossíveis de suportar, impossíveis de controlar. Prefiro esconder-me deste mundo, sentar-me comodamente e escrever palavrões através de simples quadros imaginários por entre uma natureza perfeita. Guiar-me-ia pela loucura da grandeza, mas sinto-me demasiado confortável para sonhar alto. Olho em redor, e abranjo tudo num simples olhar indiscreto. Consigo sentir a tensão exterior na minha pequena cadeira, onde vibro com tamanha sensação. Sensações permanentes na procura de liberdade, sonho e fantasia, voando pelo exterior sentindo o lugar. Sinto as palavras a entrarem-me pela casa adentro numa afronta á minha simpatia, buscando as minhas alegrias e tristezas, que a minha leve caneta descreve ao deslizar num simples papel. Porque sei que posso estar aqui como ali, que essas palavras não me abandonarão, simplesmente mudarão a minha ténue visão deste pequeno mundo envolvente. E, assim, traduzo este espaço como sensorial, sentindo cada segundo que passa, na intensa busca pela simples inspiração...
No fim, deparo-me com este volume marcante numa simples natureza. Complica-se o simples, e busca-se a simplicidade, num meio confuso onde nos libertamos do mundo e buscamos a básica palavra de todas: viver. Viver este espaço, viver este mundo, viver vivendo numa frenética envolvente que nos faz mover... Mover uma simples caneta, duas básicas palavras e um conjunto de ideias, que traduzem a minha liberdade, a minha inspiração. Sinto que consegui o espaço ideal, aquele em que eu vivo, e aquele que me faz viver...”

Vive

Eram 10 horas. Sem dúvida, um dia diferente se aproximava. O sol, acabado de se erguer, iluminava um mundo inquieto, empolgado na busca do seu dever. Era visível uma borboleta, junto a uma linda rosa vermelha, no meio de um jardim. Uma área sagrada da natureza, onde se viam pequenas flores e imponentes árvores que sobressaíam naquele lugar. À sua volta, o mundo. A inquietação das pessoas, o ensurdecedor barulho da inovação e a busca pela tão esperada calma. Ali no meio, encontrava-se ele. Alto, visivelmente calmo e desgastado pelas mudanças na vida. Encorajado também, não só pela sua força mas por existir um dia de amanhã. Sentia a brisa, como um alívio para o calor que já era presente. Não pensava, simplesmente sentia. Sentia o seu respirar, a sua vontade, a sua força e a sua leveza para voar. Tinha tanto para contar mas das suas palavras surgia o ensurdecedor silêncio. Tinha aprendido a controlar-se, a sobressair-se das suas incógnitas e a levantar a cabeça, como que acreditando na sua força. Estava sentado junto a uma árvore. Os pensamentos surgiram, inesperados, enchendo por completo o seu ser. Sentia raiva, dor, tristeza até pelos seus actos, até que surgiu uma lágrima escorrendo pelo seu liso rosto. Julgava-se um falhado, um perdido no caminho por si traçado. Havia uma razão, mas por mais certa que estivesse, era difícil de acreditar. Tinha falhado certamente, mas era aquele o caminho a seguir. Incluía mudanças sem dúvida, mas esperanças e desilusões, alegrias e tristezas, e uma infinidade de coisas que o fariam outro. Outro ser, outra voz neste discutido mundo. Ele sabia e sentia essa decisão. Sabia que a vida era assim, feita de escolhas, e sabia que cada um tinha a sua longa estrada. Não a temia, mas esse era agora o seu percurso. Levantou-se, e olhou em volta. Tantas vidas, tantas forças e obscuridades. Sorriu. Sentia-se leve, forte como nunca, inquieto por começar o percurso, e incrivelmente esperançoso após aquele momento de raiva e tristeza. Sentia-se vivo. Algo que prometera não esquecer… Acreditava no futuro como ninguém, e por isso avançou em direcção do nada. Sabia que lhe aguardavam reviravoltas inesperadas, sorrisos persistentes e lágrimas angustiantes. Sabia que ia mudar, e que ia aprender. Sobretudo aprender. Após isto, sentiu-se vivo… Vivo como nunca. E partiu...