Poderia escrever calmamente um conjunto de vontades reflectido em meia dúzia de palavras. Seria fácil compreenderes o que tento fazer a cada momento que passas por mim com um olhar longe, junto ao horizonte. Aquele olhar dominante, incrivelmente autoritário e sensível, que me faz esquecer que sempre exististe.
Poderia escrever o teu nome na areia daquela praia, reescrevendo ao passar de cada onda. O sol daria-lhe a cor que falta, e que eu próprio me havida esquecido de acrescentar. Poderia sonhar contigo sentado nessa mesma areia, numa noite longa e agradável contando as estrelas que guardavam cada desejo nosso. Os mesmos desejos que te contaria, vezes sem conta, junto ao ouvido em sentido de provocação.
Poderia raptar-te do teu mundo e levar-te para bem longe. Levar-te ao topo do mundo, ao fim de cada estrada, ao desconhecido por nós até no pensamento. Ao espaço de ninguém que tomaria-mos como nosso, escrevendo o nosso nome entre linhas numa placa bem visível. Poderia partilhar que existias, gritar bem alto o teu nome para que os novos vizinhos soubessem que existia tal beleza.
Poderia, bem junto ao infinito, acender uma vela e piscar o olho entre a restante escuridão. Enganar o medo e viver de olhos fechados, sentindo somente o teu toque, ouvindo a tua voz como se estivesses dentro de mim. Apagar o coração de velas que te rodeava e ficar a olhar para o luar que insistia em te iluminar.
Poderia esquecer tudo. Esquecer o que já não importa, e lembrar quem tu és. Lembrar do que fazes, do que insistes em marcar e da importância que tu não esqueces em fazer. Poderia até lembrar-me unicamente do sorriso que fazes sempre que não digo nada de jeito, ou da palavra que dizes sempre que fico calado.
Poder, poderia. Poderia fazer a felicidade em gestos que eu, tu ou nós ligaríamos a um sorriso. Poderia, mas não faço, porque insistes em marcar presença só na minha cabeça, e não a meu lado. Só no meu mundo, e não no teu. Porque um dia, daqueles normais, poderíamos acreditar. E eu, que tanto acredito, poderei esquecer-me que tenho que acreditar.
O silêncio da palavra, feroz, dobrada em quatro e deixada a um canto, para ninguém a ouvir.
domingo, 16 de maio de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Muralhas
Tão grande que é a muralha com que me deparo, dia após dia, robusta e marcante em olhares invisíveis mas possíveis de um dia não sentir. Cada dia que passa parece maior, mais dura e crua do que um dia foi, mais me assombra e me põe na escuridão de um dia vazio e perdido. O olhar perde-se a perceber o seu início, a memória procura esquecer o seu fim. Não há forma de a ultrapassar, de a vencer, de a esquecer. O aperto é forte, esmaga a vontade que nasce e desaparece, cada vez mais fraca.
Hoje, destruiu-me numa implosão intensa e feroz. Roubou-me o querer, o passo do longo caminho, a certeza, a possibilidade, o sonhar, o sorriso. A força já me cai, em duas lágrimas soltas, marcando como tatuagem a dor que as faz sair. Que as libertou, no meu acordar, até ao ponto de voltar a esquecer o mundo, e fechar os olhos. A muralha insiste em permanecer, cada vez maior, cada vez mais sobre mim num jogo com vencedor anunciado. Renuncio ao que sempre quis ter e ser, ao que sempre procurei e nunca vislumbrei, na busca do meu passo certo, do meu olhar, do meu abraço forte, da minha pessoa. Nunca a verdade tinha sido tão marcante em espaços curtos e directos, em falas sequenciais que me puseram fora do mapa, fora da crença comum entre todos os que procuram o mesmo que eu. Hoje, abandono a luta, ergo a bandeira branca em sinal de fraqueza, em sinal de consciência de que nada faz sentido, tudo se perde em pensamentos hiperbólicos.
A chuva cai. Espalha entre gotas pesadas e frias a sua multiplicação, a sua liberdade total. A verdade doeu, enfraqueceu o que procurava sobreviver. Acima de tudo, bati neste fundo sem perceber a saída, sem olhar para a luz e ter a vontade de a sentir. O caminho apagou-se, o sorriso não volta, a chama apagou-se. Se um dia a verdade foi necessária, este é o dia. O dia em que acordo, abro-me para esta pesada envolvente que teima em me esconder do mundo. Se um dia me apeteceu escapar destas teias que insistem em me prender, este é o dia. Resta-me trepar a muralha, quebrar passados e construir futuros, para que um dia a muralha que eu sinto me pareça tão pequena, vista de cima.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
O jogo começou
O ano acaba, o ano começa. Banalidades que eu, tu e nós cronometramos e tentamos identificar como meta de um objectivo: o concretizar. Poderia facilmente apagar em pequenos gestos o que foram 365 dias de um longo horizonte, por vezes descolorido. Poderia, igualmente, descrever em estranhas palavras o que insisto em manter vivo o que aconteceu em igual tempo.
Nenhum dos dois me trará aos dias o caminho no mapa, sinalizando o próximo objectivo. Não me trará, igualmente, o seu sorriso fortemente marcante, o momento de chamas que me fez brilhar, ou tudo o que me trouxe a fonte aos olhos. Não me fará sentir o seu toque, a sua mágoa, o seu suspiro matinal ou o seu quente abraço, forte, inexplicável. Pouco me fará lembrar cada palavra sua, cada momento nosso, cada caminhada minha agarrado à solidão, de mão dada. Tudo está marcado a ferros, incluindo a dor. Sim, a dor. A dor do tempo que passou, do sorriso que teimei em não dar, da mão que não estendi, da palavra que não soltei. Do erro que marquei, das falhas que não escondi, do tempo que gastei. Dos tremores do meu mundo, das tristezas que apaguei e que não desapareceram. Até do que criei, do que insisti, do que mudei. Não, não apago. Revolto-me, sim, por mais um ano onde o que fiz foi o que não fiz, o que lutei foi o que hoje ainda luto. Luto, sim. E volto a lutar, segura-me.
Hoje, amanhã e depois. O passo que dou em frente faz tudo começar de novo. Não do zero, mas do negativo que ainda procuro recuperar. Tudo significa uma nova etapa, a página que viro de um livro em branco. Toma, a caneta, escreve o que nunca foi dito, rasga, marca, risca vigorosamente para que tudo se preencha, tudo se perceba mesmo que eu não o deseje.
Assim, caminho novamente na mesma rua, no mesmo lugar. Nada mudou, a vontade mantém-se igual a si mesma. A tua presença é nula, o meu mar é imenso. Aparece, liberta-me do que me segura e mostra-me o espelho da luz. A partir de hoje, o meu passo será a minha glória em dias contados, em prazeres vulgares, em tristezas aprisionadas.
Sim, o sol voltou a nascer, como ontem. Senta-te, ele amanhã estará de volta, e depois. Por isso, escreve uma página de cada vez. Resguarda-me nas notas, o jogo começou.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O hoje, do amanhã
Tive medo de sair à rua, hoje. A rua era laranja, forte, na iluminação nocturna que indicava mal o percurso. O céu, branco nas poucas estrelas reluzentes, era o ponto de partida para o meu medo exterior, e para apagar a tal fúria induzida pelo teu perfume. Sim, aquele odor permanente nas paredes da minha casa, infiltrado pela pouca presença que me tinhas presenteado. Abro a porta, aquela pela qual nunca entraste, mas que teimas em sair. O tapete permanece intacto, depois do desgaste do teu sapato alto, fino como o alfinete da tua dor, espetado em mim como um cravo em plena revolução. Saio contra tudo, até contra mim. Oiço o teu silêncio em repetição a partir dos fones, que me acompanham. O medo permanece, a dor também.
A rua escapa-me nos passos trocados que tento dar ao acompanhar-te em palavras. A pontuação que usas tornou-se a minha esquina, encabeçada pelo STOP ao fundo da rua, proibindo-me de continuar a escrita. Sinto-me tentado, encorajado pela força do vento na escuridão da noite. Os passos são mais curtos, menos densos, o ar irrespirável em cada gole da vida que insisto em desprezar. Esta noite, sou o estranho em cartaz na glória da descoberta.
No caminho à tua casa, longíqua e abandonada, destroçada porém, a sombra do desconhecido assombra me no pensamento que insisto em afastar. Infiel à força da mão, arrasto te entre dedos sentindo o teu cabelo nesta volta, quase perfeita. Estás a fugir, não soltes a minha pressão que será a tua saída deste labirinto a descoberto.
Consigo sentir a tua presença nesta solidão intensa que percorre cada traço da minha feição. O sorriso já se escapa entre linhas e palavras desordenadas num texto escrito ao contrário, invertendo o relógio no soltar da lágrima. Hoje, no amanhã, sinto a tua presença mais perto do que o sentir de ontem. Aquele sentir demais para a minha pequena dimensão que me estraga em sorrisos e me leva a voar baixinho, junto ao chão, junto á realidade. A noite abriu noutro laranja, mais profundo, mais horizonte. Aquele laranja que pinta o nosso fundo, aquele fundo descrito nestas palavras que me faz lembrar que exististes no amanhã do meu presente. Insisto em gritar, junto à tua pele, que fazes parte do meu respirar lento, eficaz. Digo-te, com os olhos em ti, que este é o hoje, do amanhã.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Quem és tu?

Tudo o que eu sei de ti resume-se a uma folha rabiscada com meia dúzia de palavras, descrevendo-te na perfeição, toda amarrotada e deixada abandonada a um canto. Senti necessidade de escrever em vários papéis tudo o que eu pensava de ti, mas nenhum era mais completo do que o anterior, que eu tinha rasgado. Decidi então telefonar-te, mas cada vez que ouvia o sinal da tua caixa de mensagens, já me tinha esquecido do que o coração me havia mandado dizer. Ainda pensei em escrever uma mensagem, mas parece que as teclas andavam trocadas. A culpa não era minha, a paixão é que era imensa!
Sai de casa na esperança que as luzes tão repetidas da abandonada rua me levassem a alguma forma de te recompesar, pelo sorriso que me dirigiste ás 16:04 na porta do café mais próximo da tua casa. Ainda hoje tenho o vídeo guardado desse sorriso, a passar repetidamente na minha mente e, mais recentemente, no meu coração. Pensei em arranjar uma flor tão bonita como tu, mas a florista não tinha rosas especiais nem flores do outro mundo, pelo que continuei a observar as luzes rua fora.
Passei pela papelaria, mas até os forretas cartões de amor eram mais fracos que as minhas fúteis palavras. Pensei em escrever um livro só sobre ti, mas precisaria de colecções enormes só para conseguir dar um significado ao teu nome que não fosse o que o meu interior tanto repete, vezes sem conta. E mesmo assim, acho que metade de cada página seria em branco, só para deixar o leitor a imaginar cada maravilha tua.
No fim da rua, um cinema. Tanta vez que me imaginei ali contigo, num filme de puro romance, quase de chorar. Quase que me apetecia comprar dois bilhetes, só para dizer que um seria para ti. E depois, ver o filme duas vezes, para me imaginar contigo a dobrar. Até tinha comprado pipocas, partilhamos?
Imaginava-te sentada no sofá, a ver o que não te apetecia, sempre que passava pela tua porta verde, com o número 51. Até já tinha decorado os hábitos dos teus vizinhos, só de passar ali sem propósito algum. Parece que todas as ruas iam dar á tua, que coincidência! Hei-de sair daqui, apesar da tua porta parecer um beco sem saída.
Cada raio de sol refletido no rio faz-me lembrar de ti. Costumo passear junto a ele na esperança que faças o mesmo, e que possamos encontrarmo-nos completamente por acaso. No entanto, continuo sem conseguir uma razão racional para te mandar uma flor, e não uma caneta. Ando confuso, sem norte. Só para teres noção, até dou por mim a ver-te em todo o lado, sem sequer lá estares.
Quando estou sentado na cama, a olhar intensamente o papel onde te descrevi, penso que esgotei as formas de pensar em ti. Ou de te compensar só pelo teu sorriso. Aquele sorriso. Amanhã lembrar-me-ei de uma forma diferente de pensar em ti, nem que seja naquele topo da montanha, onde possa ver tudo á minha volta, incluindo tu. Tu e tu. No fim de tanto pensamento, quem és tu?
6.
Sai de casa na esperança que as luzes tão repetidas da abandonada rua me levassem a alguma forma de te recompesar, pelo sorriso que me dirigiste ás 16:04 na porta do café mais próximo da tua casa. Ainda hoje tenho o vídeo guardado desse sorriso, a passar repetidamente na minha mente e, mais recentemente, no meu coração. Pensei em arranjar uma flor tão bonita como tu, mas a florista não tinha rosas especiais nem flores do outro mundo, pelo que continuei a observar as luzes rua fora.
Passei pela papelaria, mas até os forretas cartões de amor eram mais fracos que as minhas fúteis palavras. Pensei em escrever um livro só sobre ti, mas precisaria de colecções enormes só para conseguir dar um significado ao teu nome que não fosse o que o meu interior tanto repete, vezes sem conta. E mesmo assim, acho que metade de cada página seria em branco, só para deixar o leitor a imaginar cada maravilha tua.
No fim da rua, um cinema. Tanta vez que me imaginei ali contigo, num filme de puro romance, quase de chorar. Quase que me apetecia comprar dois bilhetes, só para dizer que um seria para ti. E depois, ver o filme duas vezes, para me imaginar contigo a dobrar. Até tinha comprado pipocas, partilhamos?
Imaginava-te sentada no sofá, a ver o que não te apetecia, sempre que passava pela tua porta verde, com o número 51. Até já tinha decorado os hábitos dos teus vizinhos, só de passar ali sem propósito algum. Parece que todas as ruas iam dar á tua, que coincidência! Hei-de sair daqui, apesar da tua porta parecer um beco sem saída.
Cada raio de sol refletido no rio faz-me lembrar de ti. Costumo passear junto a ele na esperança que faças o mesmo, e que possamos encontrarmo-nos completamente por acaso. No entanto, continuo sem conseguir uma razão racional para te mandar uma flor, e não uma caneta. Ando confuso, sem norte. Só para teres noção, até dou por mim a ver-te em todo o lado, sem sequer lá estares.
Quando estou sentado na cama, a olhar intensamente o papel onde te descrevi, penso que esgotei as formas de pensar em ti. Ou de te compensar só pelo teu sorriso. Aquele sorriso. Amanhã lembrar-me-ei de uma forma diferente de pensar em ti, nem que seja naquele topo da montanha, onde possa ver tudo á minha volta, incluindo tu. Tu e tu. No fim de tanto pensamento, quem és tu?
6.
Foto de José Boldt
domingo, 12 de abril de 2009
Idades temporais
Não existem dias perfeitos. Apenas, as horas atrás de horas num relógio que não pára. A claridade do dia contrasta facilmente com o cair da noite, tão rápido que nem sentes o seu fim. Ou o seu início. Ou o seu decorrer, com o forte raiar do sol entre pequenas nuvens.
Nessa tarde, o sol preferia manter-se entre duas tímidas nuvens. O vento também não parecia interessado, remetendo-se timidamente entre o nosso respirar. De resto, a vida normal de um dia a dia aparentemente alegre, onde se mistura a beleza do jardim com a agitação permanente de que passa por ali.
No entanto, o simples banco verde chamava por mim, a idade já não perdoa. As pernas haviam sido jovens, em tempos, mas agora resguardam anos de intensas caminhadas. Ou correrias atrás do que eu pensaria, algo novo. Até o simples gesto de sentar parecia-me um eterno descanso, preferindo sentir a agitação alheia. De olhar atento, percebia-se o confronto de idades que eu tanto gostava de apreciar. E passando a mão pela rugosa cara, sentia que aqueles já haviam sido os meus tempos. Restava-me olhar, e nada mais do que apreciar sentado num banco de jardim. Repetia isto três vezes por semana. Tirando as que passava no médico, ou as que preferia outros locais com um simples banco de jardim. Como eu gostava destes bancos, como já gostara de viver.
Ali sentado, apreciava o meu redor. E imaginava-me, rejuvenescido como nunca, correndo atrás de uma bola, com dois colegas a gritarem comigo insancemente á espera de um passe. Junto á vedação, as meninas, tímidas, á espera que o seu preferido jovem lhes dedicasse um golo. Ou dois. Mais á frente, o início do parque, e da vida. Cada mãe passeava um pequeno carro com um bebé, orgulhosas como nunca. Também me senti orgulhoso quando os meus dois filhos decidiram nascer. Ou até o meu pequeno neto, agora um daqueles corredores atrás da bola. Essa, uma das razões que me faziam estar ali.
Debaixo desta árvore, imagino os meus tempos de criança. Diferentes e iguais, à vida de uma simples criança actual. Pensar que tudo passou sem o devido proveito. Pensar que dos meus trinta anos, passei para sessenta, numa rapidez invulgar que nem eu sei explicar. Pensar que sou culpado por esta falta de anos que se nota em cada passo meu. Pensar que com a preocupação de seguir em frente, de procurar trabalho e de me alimentar como o médico me sugeria, perdi a noção do que é sorrir verdadeiramente. Soltar aquela gargalhada que te faz perder o ar, ou sentir o raiar do sol mesmo por dentro de nós. Ou até de correr entre amigos atrás de uma bola de trapos, como em tão poucas vezes fiz. Ou até de piscar o olho àquela menina que tantas vezes me via a passear, sem eu próprio ligar, preferindo seguir com o rosto rosado, fugindo á minha própria adrenalina.
Hoje, sinto-me culpado pelo que vivi. Mas principalmente pelo que não vivi. Pelo que me resta observar a juventude que á minha volta circula, dizendo repetidamente ao meu neto:
Não deixes de fazer porque pensas que amanhã aparecerá a mesma oportunidade. Faz do teu dia de amanhã, o teu dia de hoje. E verás que quando chegares aos meus sessenta, já terás vivido eternidades.
Feliz pelo meu neto, já era hora de ir embora. A hora de jantar estava marcada, e aquela doce menina que antes me seguia com um sorriso, agora estará zangada se não chegar a horas. Devagar, lá chegarei. Até lá, vou aproveitando o sol. Amanhã, até pode ser que chova. Nunca se sabe...
.Foto de José Boldt
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
What's wrong ?
O que se passa ... ?
Fúrias interiores distorcem o meu caminho. Tornam-o ofuscante, levando-me a destinos por mim não procurados. Passados presentes, que eu afundo no meu horizonte, voltando como um híman sempre que caminho. Caminhos desbravados, às vezes sonhos, quebrados por incapacidade própria. Ou dos outros. Descobertas tenebrosas, levam-me a cair em cada falha no meu caminho. Erros fatais, tornando horizontes negros, onde a saudade é o objecto principal da minha agenda.
Mas, o que se passa ?
Hoje, o vento sopra em sentidos contrários. O sol ilumina as sombras da cobardia, com o carácter fortalecido. A chuva cai esporadicamente, mostrando a minha fraqueza em demasia. Luto fortemente contra os ventos que se debatem, em busca da brisa permanente. No fim, descubro que sou fraco demais para acreditar em mim, quanto mais no dia de amanha. Por isso, esqueço a metereologia.
Conta-me o que se passa.
Sabes o topo da montanha ? Sonho escalá-la para poder desce-la de forma impetuosa, correndo o sangue nas veias sem fulgor.
Sabes da vitória ? Espero perder. Só assim, saberei o que é ganhar.
Sabes do amor ? Então esquece, que eu não o quero.
Sabes da dor ? É o meu dia a dia. Não te aflijas, tou habituado.
Sabes o que sentes e o que o teu redor te mostra. Sabes o que queres porque a tua ânsia aumenta cada segundo que não tens. Sabes do passado, porque vives o presente a caminho do futuro. Sabes o que é teu, eu sei o que é meu.
Continuo sem perceber. Explica-me
O meu mundo, é assim. Confuso. Perco literalmente o que procuro antes de tentar procurar. Escrevo na minha mão o futuro risonho que desejo, mantendo no coração o árduo passado que quero apagar. Mas não tenho coragem. Todos os dias sobrevalorizo a minha imagem sobre os outros, imagino-me maior. Chego até a tocar no céu com bravura, buscando as respostas diárias que ele me oferece. Perco a minha sombra por momentos, quando o meu medo interfere, perdendo o dia de amanha. Sou audaz em sofrimento. Nos outros, em mim. Um ciclo viocioso onde não gosto de estar, mas que dele não saio. Sou frio a procurar soluções, algumas que nem quero ter. Por vezes, são saídas, mas a coragem faz-me tremer e recuar.
Falta a parte positiva, nem tudo em ti é mau.
O único que guardo de positivo em mim, é a memória. Do que outrora fui. E a esperança. Que serei feliz, pisando o solo que imaginei, rasgando as folhas que quero rasgar, idolatrando cada acção, sonhando ao nível dos meus objectivos. Um dia...
Ele levantou-se. Colocou-se a meu lado, com a mão sobre o meu ombro. Era tão leve. Murmurou-me:
A folha solta-se da árvore. O rapaz tropeça, sempre que procura andar devagar. A carta não é entregue, falha na escrita. O cobertor protege-nos, como uma fortaleza. O grito ensurdecedor cala-se, perde a força. O resto, são momentos.
E desapareceu. Misturou-se no pesado ar matinal. E eu, lá prossegui o meu percurso diário.
Fúrias interiores distorcem o meu caminho. Tornam-o ofuscante, levando-me a destinos por mim não procurados. Passados presentes, que eu afundo no meu horizonte, voltando como um híman sempre que caminho. Caminhos desbravados, às vezes sonhos, quebrados por incapacidade própria. Ou dos outros. Descobertas tenebrosas, levam-me a cair em cada falha no meu caminho. Erros fatais, tornando horizontes negros, onde a saudade é o objecto principal da minha agenda.
Mas, o que se passa ?
Hoje, o vento sopra em sentidos contrários. O sol ilumina as sombras da cobardia, com o carácter fortalecido. A chuva cai esporadicamente, mostrando a minha fraqueza em demasia. Luto fortemente contra os ventos que se debatem, em busca da brisa permanente. No fim, descubro que sou fraco demais para acreditar em mim, quanto mais no dia de amanha. Por isso, esqueço a metereologia.
Conta-me o que se passa.
Sabes o topo da montanha ? Sonho escalá-la para poder desce-la de forma impetuosa, correndo o sangue nas veias sem fulgor.
Sabes da vitória ? Espero perder. Só assim, saberei o que é ganhar.
Sabes do amor ? Então esquece, que eu não o quero.
Sabes da dor ? É o meu dia a dia. Não te aflijas, tou habituado.
Sabes o que sentes e o que o teu redor te mostra. Sabes o que queres porque a tua ânsia aumenta cada segundo que não tens. Sabes do passado, porque vives o presente a caminho do futuro. Sabes o que é teu, eu sei o que é meu.
Continuo sem perceber. Explica-me
O meu mundo, é assim. Confuso. Perco literalmente o que procuro antes de tentar procurar. Escrevo na minha mão o futuro risonho que desejo, mantendo no coração o árduo passado que quero apagar. Mas não tenho coragem. Todos os dias sobrevalorizo a minha imagem sobre os outros, imagino-me maior. Chego até a tocar no céu com bravura, buscando as respostas diárias que ele me oferece. Perco a minha sombra por momentos, quando o meu medo interfere, perdendo o dia de amanha. Sou audaz em sofrimento. Nos outros, em mim. Um ciclo viocioso onde não gosto de estar, mas que dele não saio. Sou frio a procurar soluções, algumas que nem quero ter. Por vezes, são saídas, mas a coragem faz-me tremer e recuar.
Falta a parte positiva, nem tudo em ti é mau.
O único que guardo de positivo em mim, é a memória. Do que outrora fui. E a esperança. Que serei feliz, pisando o solo que imaginei, rasgando as folhas que quero rasgar, idolatrando cada acção, sonhando ao nível dos meus objectivos. Um dia...
Ele levantou-se. Colocou-se a meu lado, com a mão sobre o meu ombro. Era tão leve. Murmurou-me:
A folha solta-se da árvore. O rapaz tropeça, sempre que procura andar devagar. A carta não é entregue, falha na escrita. O cobertor protege-nos, como uma fortaleza. O grito ensurdecedor cala-se, perde a força. O resto, são momentos.
E desapareceu. Misturou-se no pesado ar matinal. E eu, lá prossegui o meu percurso diário.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Ainda...
Ainda procuro o que deixaste para trás. Aquela pequena recordação, símbolo de felicidade. Anda perdida desde que me abandonaste no deserto do paraíso, incrédulo, a ver-te partir sem sequer olhares para trás. Foi duro. Tentei por tudo ir atrás de ti. Correr, chamar por ti. Mas até nisto, o meu corpo era teu, e obedeceu-te. Infelizmente.
Ainda ambiciono o que não tenho. Chama-me de ambicioso, eu gosto. Repete. E no fim, chama-me de aldrabão, porque quero tudo ao mesmo tempo que tento ter nada. Bate-me, mereço. Outra vez. Não sou fã do masoquismo, mas mereço porque até agora, fiquei parado. À espera que o 'tudo' venha até mim. E como sempre, não veio.
Ainda tento sonhar. Daqueles sonhos que todos gostam de falar, relatar a toda a gente. Medíocres, digo eu. Sonham alto de mais, e não têm pára-quedas na sua imaginação. Sendo assim, não sou medícore, mas sou pobre. Não consigo sonhar, não faz parte de mim. Ajudas-me? Diz-me como se faz, talvez consiga se me concentrar. Vá, ajuda-me, peço-te. No fim, digo-te como se voa.
Ainda procuro encontrar quem sou. Sou isto, aquilo e o que não sou. É difícil! Sei que sou isto, ás vezes sou aquilo, inocentemente. Outras vezes, contra mim mesmo, sou o que não quero. Juro que és tu que estás a controlar-me, acho que praticas voudou. Se praticas, esquece-me. Gosto da simplicidade, por isso não me mereces.
Ainda procuro a felicidade. Ou o fim da tristeza, para mim é o mesmo. Já te contei daquela agonia permanente? Em que refilo comigo mesmo, por não conseguir sair de um buraco? Ajuda-me, dá-me uma escada, e sobe comigo. Um dia, terás uma recompensa.
Ainda ...
Ainda ...
AINDA ...
Já reparaste, que não fiz ainda nada? Ainda procuro, tento, ambiciono, TUDO. Neste momento, tenho NADA. Opostos. Porque chatear-me? Devia contentar-me porque neste momento tenho NADA, e procuro o TUDO. Se um dia encontrar, aviso-te. Estás contactável? Sinto que não faltará muito, a vida é tão curta. Olha para o relógio, conta o tempo se faz favor. Conta quanto tempo demoro a conseguir o que procuro. Se me sentir pressionado, talvez consiga. Achas que sim?
Ele não contou. Parou o relógio. E disse-me: ' Esquece. Tu não procuras nada. Olha para ti. Pensa. Tens tudo. Tens vida, respiras com coragem e és livre. Eu tenho muito menos, e considero-me feliz. Faz o mesmo. Sorri. Continua a ser o que tens de melhor á borla! '
Fiquei sem resposta. E furioso. Não com ele, comigo mesmo. Como pude deixar isto escapar ... O sorriso... Sabes sorrir?
Ontem falava com um amigo. O poeta. Ele enviou-me duas músicas, e perguntou.me o que eu sentia ao ouvi-las. Disse-lhe que leve, porque imaginava o nada e sentia cada nota da música. O resto? Conversa que quem gosta de trocar palavras...
Ainda ambiciono o que não tenho. Chama-me de ambicioso, eu gosto. Repete. E no fim, chama-me de aldrabão, porque quero tudo ao mesmo tempo que tento ter nada. Bate-me, mereço. Outra vez. Não sou fã do masoquismo, mas mereço porque até agora, fiquei parado. À espera que o 'tudo' venha até mim. E como sempre, não veio.
Ainda tento sonhar. Daqueles sonhos que todos gostam de falar, relatar a toda a gente. Medíocres, digo eu. Sonham alto de mais, e não têm pára-quedas na sua imaginação. Sendo assim, não sou medícore, mas sou pobre. Não consigo sonhar, não faz parte de mim. Ajudas-me? Diz-me como se faz, talvez consiga se me concentrar. Vá, ajuda-me, peço-te. No fim, digo-te como se voa.
Ainda procuro encontrar quem sou. Sou isto, aquilo e o que não sou. É difícil! Sei que sou isto, ás vezes sou aquilo, inocentemente. Outras vezes, contra mim mesmo, sou o que não quero. Juro que és tu que estás a controlar-me, acho que praticas voudou. Se praticas, esquece-me. Gosto da simplicidade, por isso não me mereces.
Ainda procuro a felicidade. Ou o fim da tristeza, para mim é o mesmo. Já te contei daquela agonia permanente? Em que refilo comigo mesmo, por não conseguir sair de um buraco? Ajuda-me, dá-me uma escada, e sobe comigo. Um dia, terás uma recompensa.
Ainda ...
Ainda ...
AINDA ...
Já reparaste, que não fiz ainda nada? Ainda procuro, tento, ambiciono, TUDO. Neste momento, tenho NADA. Opostos. Porque chatear-me? Devia contentar-me porque neste momento tenho NADA, e procuro o TUDO. Se um dia encontrar, aviso-te. Estás contactável? Sinto que não faltará muito, a vida é tão curta. Olha para o relógio, conta o tempo se faz favor. Conta quanto tempo demoro a conseguir o que procuro. Se me sentir pressionado, talvez consiga. Achas que sim?
Ele não contou. Parou o relógio. E disse-me: ' Esquece. Tu não procuras nada. Olha para ti. Pensa. Tens tudo. Tens vida, respiras com coragem e és livre. Eu tenho muito menos, e considero-me feliz. Faz o mesmo. Sorri. Continua a ser o que tens de melhor á borla! '
Fiquei sem resposta. E furioso. Não com ele, comigo mesmo. Como pude deixar isto escapar ... O sorriso... Sabes sorrir?
Ontem falava com um amigo. O poeta. Ele enviou-me duas músicas, e perguntou.me o que eu sentia ao ouvi-las. Disse-lhe que leve, porque imaginava o nada e sentia cada nota da música. O resto? Conversa que quem gosta de trocar palavras...
domingo, 11 de janeiro de 2009
O verbo viver
Andava um dia pelos lados do desconhecido, vagueando entre perguntas sem resposta e afirmações sem nexo. Andava também indeciso qual delas me facilitaria o caminho para o que procuro. Era em vão, ambas ficavam indecisas. Decidi, no entanto, abranger o meu conhecimento com o mundo que me rodeava. Pequenas inteligências rodeavam o meu ser, ameaçando o meu percurso que estava marcado no chão. Pelo menos, eu via-o, era o mais importante. Aproximou-se um senhor de mim, curioso, como quase todos, e perguntou-me:
'Porque anda você às voltas num sitio tão perdido, parece não saber o que viver no segundo seguinte'
Tinha vontade de lhe responder mas, em vez de tal acto, decidi perguntar-lhe:
'Sabe o que é viver?'
Indignado, o senhor esboçou uma cara de poucos amigos, pegou na minha mão e disse:
'Viver, é o que o rodeia faz todos os dias. Cada um vive, mas nenhum sabe como'
Agora sim, apeteceu-me rir. Ás gargalhadas. Não pela ignorancia do pobre senhor, mas pela 'forma de viver' do mundo que me rodeava. retribuí-lhe o gesto. Peguei na sua mão, cuidadosamente, e disse-lhe:
'Acha que isto é viver? Olhe á sua volta... O que você vê, são pessoas perdidas, num mundo perdido. Elas seguem o seu percurso, indignadas, porque não sabem explicar cada passo que dão. Todo o mal que lhes acontece é causado por Deus, e toda a sorte é derivada das suas supostas boas acções. Acha isto viver? Faça assim. Pegue no seu ser, continue neste passeio sem destino. Olhe para tudo, sinta a estrada por debaixo dos seus pés, sinta a brisa, cheire o ar, aventure-se no impossível. Quando decidir que sente tudo, pare, e sente-se. Ainda não sentiu nada, está simplesmente cansado. Cansado de não viver. Se ignorar o mundo todos os dias, e olhar para o seu, verá que aquela senhora do outro lado da estrada chora porque não sabe sorrir, aquele senhor julga-se feliz, porque só conhece a tristeza. Quer mesmo viver ? Então força, vá em frente, ainda vai a tempo .... '
Por fim, lá foi ele. Indignado talvez, mas curioso. Como todos. E como a curiosidade mata, foi atrás do seu mundo. Não o que o rodeia, mas aquele que lhe diz cada pedacinho do verbo viver...
Em conversa de messenger, também se escreve. Para a Anna, ela não sabia o que escrever no blog. E eu, que tenho exame de história da arquitectura amanhã, lá lhe fiz a vontade.
'Porque anda você às voltas num sitio tão perdido, parece não saber o que viver no segundo seguinte'
Tinha vontade de lhe responder mas, em vez de tal acto, decidi perguntar-lhe:
'Sabe o que é viver?'
Indignado, o senhor esboçou uma cara de poucos amigos, pegou na minha mão e disse:
'Viver, é o que o rodeia faz todos os dias. Cada um vive, mas nenhum sabe como'
Agora sim, apeteceu-me rir. Ás gargalhadas. Não pela ignorancia do pobre senhor, mas pela 'forma de viver' do mundo que me rodeava. retribuí-lhe o gesto. Peguei na sua mão, cuidadosamente, e disse-lhe:
'Acha que isto é viver? Olhe á sua volta... O que você vê, são pessoas perdidas, num mundo perdido. Elas seguem o seu percurso, indignadas, porque não sabem explicar cada passo que dão. Todo o mal que lhes acontece é causado por Deus, e toda a sorte é derivada das suas supostas boas acções. Acha isto viver? Faça assim. Pegue no seu ser, continue neste passeio sem destino. Olhe para tudo, sinta a estrada por debaixo dos seus pés, sinta a brisa, cheire o ar, aventure-se no impossível. Quando decidir que sente tudo, pare, e sente-se. Ainda não sentiu nada, está simplesmente cansado. Cansado de não viver. Se ignorar o mundo todos os dias, e olhar para o seu, verá que aquela senhora do outro lado da estrada chora porque não sabe sorrir, aquele senhor julga-se feliz, porque só conhece a tristeza. Quer mesmo viver ? Então força, vá em frente, ainda vai a tempo .... '
Por fim, lá foi ele. Indignado talvez, mas curioso. Como todos. E como a curiosidade mata, foi atrás do seu mundo. Não o que o rodeia, mas aquele que lhe diz cada pedacinho do verbo viver...
Em conversa de messenger, também se escreve. Para a Anna, ela não sabia o que escrever no blog. E eu, que tenho exame de história da arquitectura amanhã, lá lhe fiz a vontade.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Call me a stranger...
Diferente. Efusivo. Confiante. Marcante. Sorridente. Alegre. Poderoso.
Outrora, ele foi assim. E já não é. Tempos e tempos, mudaram o seu ser, de propósito, inocentemente, sem ele próprio perceber. Dificil de acreditar, impossível de prever, coisas de destino.
Em cada passo, um sentido de vida. Tão simples definir o que sentimos, tão mágico cada segundo que o ponteiro do seu relógio percorre, avançando lentamente no decorrer de cada instante. O seu contar até dez durava mais que o habitual, a sua paixão fervilhava junto a pele. O seu respirar era forte em emoção, a sua força inquebrável. Poderia vir o pior, ele olhava para o melhor.
Era feliz.
Não havia razões de explicação. A vida não precisa de nada para que seja compreendida. Precisa, sim, de ser vivida. Sentida, percebida, levada ao extremo. É preciso perceber o que nos faz sentir, imaginar, compreender, sonhar. Encontrar o nosso lugar.
Ele havia encontrado, era feliz.
Caminhava para o que ele imaginava ser, o seu sonho. Aquele sonho que tanto lutou, desbravou, caminhou em terrenos perigosos. Lutou com tudo o que havia conseguido reunir de forças, e até as que não tinha. Conseguiu. E o tempo passou. Agora, tudo é nada. Tudo se esfumou por entre frustações constantes, desilusões inesperadas em segundos longos e tenebrantes. Tudo era dificil, e ele percebeu.
Do nada, era infeliz.
Dificil de perceber ? Talvez.
Imagina-te agora, como sempre sonhaste ser. Para ti, a definição de perfeito. Ou quase. Imagina-te a caminhar sorridente pela rua, com tudo o que desejaste. Para ti, és feliz. Agora imagina, que nada disso existe. Nada é perfeito. Imagina-te um vulgar rapaz num mundo complicado, imagina-te um pequeno ponto num quadro enorme de pontilhismo, ainda a tinta fresca. O que te faz seguir em frente? O que te faz ir atrás do que desejas?
Nada.
Antes de mais, fecha os olhos. Fica surdo. Esquece o mundo. Ele não importa.
Agora, sente o exterior. Sente o teu fim, a morte. Sente o ar. Sente o chão. Sente o sol, e a chuva. Simplesmente, sente o que em redor de ti se dispõe, pensando interiormente. Quando sentires o que é viver, não precisas de sonhar. És feliz.
Foi isto que ele perdeu. Já não tem. E quer recuperar. Tanto ele, como eu. Eu, ser humano. Um dia fui assim, hoje não sou. Um dia..
Outrora, ele foi assim. E já não é. Tempos e tempos, mudaram o seu ser, de propósito, inocentemente, sem ele próprio perceber. Dificil de acreditar, impossível de prever, coisas de destino.
Em cada passo, um sentido de vida. Tão simples definir o que sentimos, tão mágico cada segundo que o ponteiro do seu relógio percorre, avançando lentamente no decorrer de cada instante. O seu contar até dez durava mais que o habitual, a sua paixão fervilhava junto a pele. O seu respirar era forte em emoção, a sua força inquebrável. Poderia vir o pior, ele olhava para o melhor.
Era feliz.
Não havia razões de explicação. A vida não precisa de nada para que seja compreendida. Precisa, sim, de ser vivida. Sentida, percebida, levada ao extremo. É preciso perceber o que nos faz sentir, imaginar, compreender, sonhar. Encontrar o nosso lugar.
Ele havia encontrado, era feliz.
Caminhava para o que ele imaginava ser, o seu sonho. Aquele sonho que tanto lutou, desbravou, caminhou em terrenos perigosos. Lutou com tudo o que havia conseguido reunir de forças, e até as que não tinha. Conseguiu. E o tempo passou. Agora, tudo é nada. Tudo se esfumou por entre frustações constantes, desilusões inesperadas em segundos longos e tenebrantes. Tudo era dificil, e ele percebeu.
Do nada, era infeliz.
Dificil de perceber ? Talvez.
Imagina-te agora, como sempre sonhaste ser. Para ti, a definição de perfeito. Ou quase. Imagina-te a caminhar sorridente pela rua, com tudo o que desejaste. Para ti, és feliz. Agora imagina, que nada disso existe. Nada é perfeito. Imagina-te um vulgar rapaz num mundo complicado, imagina-te um pequeno ponto num quadro enorme de pontilhismo, ainda a tinta fresca. O que te faz seguir em frente? O que te faz ir atrás do que desejas?
Nada.
Antes de mais, fecha os olhos. Fica surdo. Esquece o mundo. Ele não importa.
Agora, sente o exterior. Sente o teu fim, a morte. Sente o ar. Sente o chão. Sente o sol, e a chuva. Simplesmente, sente o que em redor de ti se dispõe, pensando interiormente. Quando sentires o que é viver, não precisas de sonhar. És feliz.
Foi isto que ele perdeu. Já não tem. E quer recuperar. Tanto ele, como eu. Eu, ser humano. Um dia fui assim, hoje não sou. Um dia..
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Magia
Senta-te, e observa. Não fales, eu gosto do silêncio. O silêncio é bom companheiro quando sabemos ouvir, quando percebemos o que ele nos diz. Porque ele também nos ouve. Observa o que diante de ti se apresenta. Gostas? Não me respondas, vejo o reluzir dos teus olhos. Vejo o reflexo deles. Vejo a tua lágrima, vejo o que sonhei ver, vejo. Sonhei tudo o que podia, deixei a hipócrisia de lado e imaginei o que consigo acreditar. Algo plausível, não gosto de cair. Vira-te para mim, e conta-me. Espalha esses teus desejos, quero fazer parte deles.
A segunda lágrima caiu.
E uma terceira também.
Limpas a cara com uma mão, levemente, num gesto rápido e eficaz. O silêncio és tu, agora. Larga a palavra, que eu fiquei sem ela quando senti o coração. Quando ele acelera, demais até para poder respirar. Viras-te para mim, olhas-me nos olhos, e paras o tempo. Vejo-me no reflexo das tuas lágrimas, no teu rosto estranhamente feliz com este solene momento. Em vez de palavras, uma quarta lágrima. E uma quinta. E uma sexta. Limpo a sétima, sentindo o que sentes. Quando falas, o momento é mágico.
' Seria triste não deitar a lágrima. Ela é o conjunto das minhas palavras, e do meu sorriso. Deixa-a correr, ela seguirá o seu curso. Mas não te vou agradecer. Porque tudo isto é um momento, e eu qero tê-lo contigo. Tu és meu. Só meu. Sei que não queres um obrigado. Por isso, dou-te esta lágrima. '
Abracei-a. Senti-a bem junto a mim, cá dentro. Não há forma de fazer alguém inteiramente feliz. Impossível. Mas sei hoje, e amanhã, e depois, que momentos como este valem o que de mais valioso sentimos. Posso ser cruel, e sou, mas isto é viver. Viver é tudo, e nada.
Olha-me. Esquece o mundo, esquece tudo. Foca-te em mim, eu sou o mundo. O teu mundo. Lembras-te do dia, do primeiro dia? Aquele em que te riste do que falei, aquele que sonhaste ser aquela pessoa, a tal, a mais feliz, que te sentaste no passeio e te julgaste pequena, que viste as estrelas e tentaste contá-las, que saltaste e sonhaste voar. Eu não me esqueço. O que consideras poder esquecer, eu faço disso a minha principal memória. Faço do teu sorriso o meu diário. E escrevo o que sonhas. Um dia, irei realizar todos os teus sonhos. Um a um.
Olhamos os dois para o horizonte.
Recuas dois passos, e voltas para trás. Eu sigo o teu caminho. Afastamo-nos daquele momento, felizes. A vida é assim, momentos. O que de tão bonito eu lhe mostrei? Nada. Uma simples paisagem. Com um por do sol. Daqueles diários.
Podes-me criticar, mas não sentiste. Um momento único não é o que preparas, é o que acontece. Podia prever o sol, mas sentiria mágoa. Sei que ele vai ali estar, não gosto. A lágrima caiu, porque fomos nós. Eu, e ela. Só os dois. Num acaso da vida, a sonhar com o que de bom somos.
Se te contasse, perderia a alegria que sinto ao ter essa memória. Por isso esquece. Foge. Posso não vir a ser feliz, mas guardo bem o que outrora me fez feliz. Não sonhes, vive. Isso será o que gostarás de guardar...
A segunda lágrima caiu.
E uma terceira também.
Limpas a cara com uma mão, levemente, num gesto rápido e eficaz. O silêncio és tu, agora. Larga a palavra, que eu fiquei sem ela quando senti o coração. Quando ele acelera, demais até para poder respirar. Viras-te para mim, olhas-me nos olhos, e paras o tempo. Vejo-me no reflexo das tuas lágrimas, no teu rosto estranhamente feliz com este solene momento. Em vez de palavras, uma quarta lágrima. E uma quinta. E uma sexta. Limpo a sétima, sentindo o que sentes. Quando falas, o momento é mágico.
' Seria triste não deitar a lágrima. Ela é o conjunto das minhas palavras, e do meu sorriso. Deixa-a correr, ela seguirá o seu curso. Mas não te vou agradecer. Porque tudo isto é um momento, e eu qero tê-lo contigo. Tu és meu. Só meu. Sei que não queres um obrigado. Por isso, dou-te esta lágrima. '
Abracei-a. Senti-a bem junto a mim, cá dentro. Não há forma de fazer alguém inteiramente feliz. Impossível. Mas sei hoje, e amanhã, e depois, que momentos como este valem o que de mais valioso sentimos. Posso ser cruel, e sou, mas isto é viver. Viver é tudo, e nada.
Olha-me. Esquece o mundo, esquece tudo. Foca-te em mim, eu sou o mundo. O teu mundo. Lembras-te do dia, do primeiro dia? Aquele em que te riste do que falei, aquele que sonhaste ser aquela pessoa, a tal, a mais feliz, que te sentaste no passeio e te julgaste pequena, que viste as estrelas e tentaste contá-las, que saltaste e sonhaste voar. Eu não me esqueço. O que consideras poder esquecer, eu faço disso a minha principal memória. Faço do teu sorriso o meu diário. E escrevo o que sonhas. Um dia, irei realizar todos os teus sonhos. Um a um.
Olhamos os dois para o horizonte.
Recuas dois passos, e voltas para trás. Eu sigo o teu caminho. Afastamo-nos daquele momento, felizes. A vida é assim, momentos. O que de tão bonito eu lhe mostrei? Nada. Uma simples paisagem. Com um por do sol. Daqueles diários.
Podes-me criticar, mas não sentiste. Um momento único não é o que preparas, é o que acontece. Podia prever o sol, mas sentiria mágoa. Sei que ele vai ali estar, não gosto. A lágrima caiu, porque fomos nós. Eu, e ela. Só os dois. Num acaso da vida, a sonhar com o que de bom somos.
Se te contasse, perderia a alegria que sinto ao ter essa memória. Por isso esquece. Foge. Posso não vir a ser feliz, mas guardo bem o que outrora me fez feliz. Não sonhes, vive. Isso será o que gostarás de guardar...
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
O fim
Experiências angustiantes. Falsidades duradoras. Sofrimentos infindáveis na luta contra o passado. Ou contra o presente, esquecendo agora o futuro. Obscuridades presentes num tempo indefinido. Por vezes contínuo. Por vezes solto. Por vezes ..
Selecciono pedaços do que pretendo eliminar. Não tudo, apenas partes que acho irrelevantes. A irrelevancia trás-me o que pretendo, a certeza de que não trago comigo o passado. Aquele em que tu entras, nós entramos, eles entram. Personagens principais de memórias por apagar. Por esquecer. Acima de tudo, por desvendar. Sou audaz na luta contra mim próprio. Venço e perco em simultâneo. Incriveis factos de uma vida, de incertezas. Por mim, tudo acabava agora. O fim.
Anseio que chames o meu nome. Que o grites, que o escrevas, que o repitas um número de vezes infindável até ele ficar gravado. Queria ouvir-te, mas não consigo. Fechei-me sobre quatro paredes e um tecto impossíveis de transpor. Fui trancado sobre mim mesmo. A saída permanece invísivel, e não tenho vontade de jogar este jogo. O das escondidas. Por isso, acomodo-me. Não é desconfortável, e a escuridão já faz parte de mim. Por isso repito, o fim.
Mesmo livre, sinto-me preso. Incrivelmente preso a algo que não recordo. Que não sei. Sou uma mistura de lembranças com o presente, de sonhos com mágoas. Sou isto, e aquilo. E o que não sou também. Sou indefinido. Ainda não me encontrei no meio desta escuridão. Ela parece eterna. Ela é eterna. Se luto, caio. Se me levanto, volto a cair. Se me sento, empurram-me. Sou fraco, admito. Não sou o único, mas sinto-me sozinho, perdido. E a minha maior fraqueza é pensar que posso ser forte. Daqueles que não caem. Daqueles que conseguem ser o que querem ser. O que são. Sou fraco agora, e no fim.
A ajuda veio. Mas não chegou a mim. Ficou perdida nesta escuridão que me envolve. Outra vez a escuridão. Não vale a pena lutar contra ela, eu perco. De certeza. Estou farto de ser o passado no presente que sonha o futuro. Um conjunto de tudo e de nada. Um ser perdido, sem nada. Não sonho ser feliz, sonho desaparecer. Sonho fugir logo que apareça a saída. Fugir daqui, para longe, bem longe. Nunca mais voltar. Ir para o início, provar que sou o que sou. Ou seja, nada. Mais uma vez, sinto o início do fim.
O fim. Fim de tudo, o fim. Aguardava este momento, sempre. Não sei o que pensar, sei que sou nada. E que este, é o meu fim.
Agora, quero ser. Quero estar. Quero voltar á inocência perfeita de cada momento. Ao inesquecível. Ao possível. Quero crescer, ter a vontade de o ser, o sorrir. O fim é o início.
Por isso, quero o fim. Este fim.
Selecciono pedaços do que pretendo eliminar. Não tudo, apenas partes que acho irrelevantes. A irrelevancia trás-me o que pretendo, a certeza de que não trago comigo o passado. Aquele em que tu entras, nós entramos, eles entram. Personagens principais de memórias por apagar. Por esquecer. Acima de tudo, por desvendar. Sou audaz na luta contra mim próprio. Venço e perco em simultâneo. Incriveis factos de uma vida, de incertezas. Por mim, tudo acabava agora. O fim.
Anseio que chames o meu nome. Que o grites, que o escrevas, que o repitas um número de vezes infindável até ele ficar gravado. Queria ouvir-te, mas não consigo. Fechei-me sobre quatro paredes e um tecto impossíveis de transpor. Fui trancado sobre mim mesmo. A saída permanece invísivel, e não tenho vontade de jogar este jogo. O das escondidas. Por isso, acomodo-me. Não é desconfortável, e a escuridão já faz parte de mim. Por isso repito, o fim.
Mesmo livre, sinto-me preso. Incrivelmente preso a algo que não recordo. Que não sei. Sou uma mistura de lembranças com o presente, de sonhos com mágoas. Sou isto, e aquilo. E o que não sou também. Sou indefinido. Ainda não me encontrei no meio desta escuridão. Ela parece eterna. Ela é eterna. Se luto, caio. Se me levanto, volto a cair. Se me sento, empurram-me. Sou fraco, admito. Não sou o único, mas sinto-me sozinho, perdido. E a minha maior fraqueza é pensar que posso ser forte. Daqueles que não caem. Daqueles que conseguem ser o que querem ser. O que são. Sou fraco agora, e no fim.
A ajuda veio. Mas não chegou a mim. Ficou perdida nesta escuridão que me envolve. Outra vez a escuridão. Não vale a pena lutar contra ela, eu perco. De certeza. Estou farto de ser o passado no presente que sonha o futuro. Um conjunto de tudo e de nada. Um ser perdido, sem nada. Não sonho ser feliz, sonho desaparecer. Sonho fugir logo que apareça a saída. Fugir daqui, para longe, bem longe. Nunca mais voltar. Ir para o início, provar que sou o que sou. Ou seja, nada. Mais uma vez, sinto o início do fim.
O fim. Fim de tudo, o fim. Aguardava este momento, sempre. Não sei o que pensar, sei que sou nada. E que este, é o meu fim.
Agora, quero ser. Quero estar. Quero voltar á inocência perfeita de cada momento. Ao inesquecível. Ao possível. Quero crescer, ter a vontade de o ser, o sorrir. O fim é o início.
Por isso, quero o fim. Este fim.
sábado, 18 de outubro de 2008
LD @
Não há como fugir a duas palavras amigas quando nos definimos como guardiães da amizade. As palavras escapam-nos, os gestos multiplicam-se, podemos lutar mas sabemos que é feitio. Não havia como escapar a ti, no meio de um mundo desconhecido e por vezes perdido, não havia como não te estender a mão, apanhar-te no meio de um enorme turbilhão e resgatar-te para um local seguro, livre, sonhador ...
A palavra segue outra, inconstante num seguimento de frases impossível por vezes de acompanhar. Mas ao que chamamos de conversa, defino eu como o encontro dessas palavras, fazendo sentir-me uma pessoa notória no teu discurso simples e voador.
Fugimos ao mundo. Escapámos ao remoínho de emoções que pairava á nossa volta, isolando-nos num pequeno mundo onde és a minha magia. Ao fundo, o rio. Sempre indiferente a este mundo, sempre grande, sempre presença marcante na paisagem. Por cima a ponte, com reflexos automáticos num rasgo de brilho que se avista no rio. No topo, o céu. Carregado, mas em sintonia com a nossa presença, abrindo, vislumbrando nós a nossa saída para a imaginação voar.
No fundo, estávamos nós. Eu e tu, tu e eu envolvidos no nosso mundo, á beira de uma paisagem, marcando-a fortemente. Não há descrição possivel quando o sentimento é puro, verdadeiro, real.
Naquele momento, senti-me no céu, como uma estrela a luzir para quem me pudesse observar. Era livre, mas preso a ti, feliz mas partilhando tal sentimento contigo, dividindo perfeições num mar de incertezas, mas coberto de vontades.
No fim, encontro o início. Início de mim, início de ti, início de nós. Não há muito a descrever, há sim a sentir. Sentir a perfeição que procurávamos, sentir cada momento por mais especial que seja.
Agora, sou eu e tu, nós @ LD'
'Because tonight will be the night
That I will fall for you
Over again
Don't make me change my mind
Or I won't live to see another day
I swear it's true
Because a girl like you
Is impossible to find
You're impossible to find '
Agora, sou eu e tu, nós @ LD'
'Because tonight will be the night
That I will fall for you
Over again
Don't make me change my mind
Or I won't live to see another day
I swear it's true
Because a girl like you
Is impossible to find
You're impossible to find '
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Sonhos..

O sol nascia. Levemente, como quem pede autorização para se impor nos céus. O seu reflexo já deixava rasto no interminável mar, tornando-o uma longa passadeira no caminho da luz. Era bonito de ser ver, convidando-nos a imaginar o que de bom podemos sentir.
Felizmente, partilhava aquele solene momento no erguer de um dia contigo. Tu, companheira de vivências, de sentimentos, de indiscrições permanentes numa vida imparável. Até o simples nascer do dia era visto como perfeito no meio de tudo o que nos rodeava. Era só tu e eu, eu e tu.
Não havia forma de puder transmitir. Dificilmente conseguiria, mesmo que as palavras me surgissem implorando por surgirem. Há momentos assim, incertos, intemporais até, que não se transmitem, sentem-se em todo o seu esplendor. Não são dois seres num momento, mas um momento num tempo com um pulsar incerto.
Tudo em ti é perfeito. O teu simples sorriso, a tua leve maneira de ser, a tua coragem numa imaginação pura, o teu fio de cabelo, o teu pesado toque, a tua doce palavra numa harmoniosa melodia.. Não há como chamar-te bela, sendo tu o topo de um conjunto de qualidades impossiveis de conjugar. A tua presença faz-me encher o peito de enormes rasgos de felicidade, prontos a denotarem-se num timido sorriso, escondido no meio de cada palavra tua.. Sou feliz !
O sol raiava na sua perfeição. Tenebroso, iluminava cada canto, indicando um numero infinito de caminhos que me fazem perder e voltar a encontrar-me ao sentir o teu toque. Não há como negar o meu voar nos céus, tocando na lua por vezes, sonhando o minuto a seguir a este que passa, e que estou contigo. Quando não estou, desencaminho mundos e submundos na maneira mais vital para te sentir como nunca. Nada é impossivel, o impossível é tudo.
Vem. Pega na minha mão, segura com firmesa, e sente o chão a fugir. Mostra-me o teu sorriso, transmite-me a tua segurança, indica-me o caminho neste céu interminável, faz-me voar ! Sem ti, o chão regressa com choque, surpresa até, o céu impõe limites e o sol, outrora imponente, põe-se com todo o silêncio por trás de uma timida colina. Não largues a mão, não me percas, és tudo !
Porém, a escuridão tomou lugar. Ao fundo, uma pequena luz indicava a saída deste vazio tenebroso. Aproximava-se apressadamente, dificil de esperar, de aguentar ! Por fim, a luz chega. Ao fundo, o nascer do dia através de uma modesta janela. Agora sim, o sol nascia, como havia nascido sempre, num fundo impossivel de tocar, impossivel de imaginar ... Agora sim, acredito. Sonhos e imaginações sao realidades impossiveis, mas raras excepções numa vida que se baseia no meu, no teu, no nosso acreditar !
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
A importância de um sorriso ..
Mágico. Incrivelmente mágico num mundo composto por pequenas surpresas. Não é fácil esquecer o que mexe conosco de forma tão forte, tão única. Seria demasiado fraco arriscar, mas agora sim vejo-me como um mestre no controlo de um tempo que já foi nosso.
Ás vezes pergunto-me, mas como ? Será isto possivel ? Desejaria ter um enorme controlo sobre o que dentro de mim acontece, adivinhando cada tempo de reacção ao forte pulsar do coração. Mas não. Prefiro assumir o que fugazmente me atinge num acto de melancolia perante a destreza da vida, acreditando nas coisas boas. Como tu.
Voltaste. Preferia dizer que te descobri depois de te esconderes estes largos meses de uma vida complicada. Mas depois de rastejar perante o que de mal me acontecia, sinto que me devolveste o sorriso na altura perfeita. Aquele largo sorriso que enche o peito de esperança, que me faz ficar incrivelmente ausente no teu mundo com a tua imagem como fundo. No fim, vejo que nunca te separaste de mim. Diria até que o coração ultrapassa os limites de força no seu bater diário sempre que a tua imagem surge dentro de mim. As forças voltaram, a esperança renovou. Por ti, sou outro.
Agora, resta-me sonhar com a tua presença. Olhar-te nos olhos e esquecer o mundo enquanto sinto a tua doce pele, oiço a tua suave voz ecoando dentro de mim. Sonho passar contigo de mão dada junto a um por do sol, iluminando as nossas sombras tornando-as insignificantes perante tanto carinho. Sinto-me um gigante nesta vida, uma pessoa nova e até indiferente, porque a vida se baseia num sorriso, e tu criaste-me um que me tornou feliz.
Porque a vida só faz sentido vivida, e tu acabaste de dar um novo significado á minha.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
'Amizades'
Devastador. Incrivelmente devastador. Como certos dias, onde a chuva rompe o ceu azul mostrando o lado negro de um horizonte diferente. Nao há como, nem porquê, mas acontece. E tudo se baseia numa verdade, algo que nunca conseguirás atingir seguindo por caminhos diferentes aos teus principios.
Amizade. Seria demasiadamente ingénuo ao não meditar sobre o que nos enche mais o coração, mas igualmente estúpido para ignorar o que á minha volta acontece sem a mínina possibilidade de percepção. Não culpo, muito menos critico e julgo, mas tenho ao menos a possibilidade de explorar o revés que sinto em cada acção indirectamente ligada a mim, que estrondosas consequências se reflectem no meu já complicado caminho.
Porém, não dramatizo. Sou capaz de compreender tais razões impossiveis de imaginar, mesmo não havendo saída. No fim, tudo tem uma razão de acontecer e eu ainda procuro o berço de tudo isto.
Mas porquê ? O que designas tu por amizade ? Ajuda nos momentos críticos, e desprezo nos nossos momentos de extase ? Inquietação por melhores dias, ombros que colhem as tuas lágrimas, e no fim uma fuga quando essas lágrimas são as nossas ? Seria fácil a resposta se me visse na pele de certos 'amigos', certos companheiros de alegrias e tristezas que no fim mostram o que realmente valem : nada.
Sinto-me abandonado, desprezado e até usado por amigos que eu denominei dos melhores, por amigos com quem lutei e ajudei até não poder mais, por pessoas que acima de tudo, tinham o meu respeito e a minha amizade. Poderei enunciar um conjunto de diferenças entre conhecidos e amigos, mas todos sabemos que essas diferenças nunca passarão de igualdades que nos farão confundir os dois termos.
No fim, sei que luto sozinho. Cada pessoa sonha, e para isso busca o seu próprio caminho usando as pessoas que usam o bem como forma de vida. É triste, ás vezes devastador, mas é com estes erros que um dia, nos ensinarão a separar estas pessoas, desprezá-las também, num acto de fúria e até precipitado, porque o que para nós são lições do passado, para outros são simples exemplos de um caminho mal escolhido. Por isso, não te apoies demasiado. As fundações dessa amizade podem demonstrar força, mas cedo perderão força em simples actos que para ti significarão o fim ...
Amizade. Seria demasiadamente ingénuo ao não meditar sobre o que nos enche mais o coração, mas igualmente estúpido para ignorar o que á minha volta acontece sem a mínina possibilidade de percepção. Não culpo, muito menos critico e julgo, mas tenho ao menos a possibilidade de explorar o revés que sinto em cada acção indirectamente ligada a mim, que estrondosas consequências se reflectem no meu já complicado caminho.
Porém, não dramatizo. Sou capaz de compreender tais razões impossiveis de imaginar, mesmo não havendo saída. No fim, tudo tem uma razão de acontecer e eu ainda procuro o berço de tudo isto.
Mas porquê ? O que designas tu por amizade ? Ajuda nos momentos críticos, e desprezo nos nossos momentos de extase ? Inquietação por melhores dias, ombros que colhem as tuas lágrimas, e no fim uma fuga quando essas lágrimas são as nossas ? Seria fácil a resposta se me visse na pele de certos 'amigos', certos companheiros de alegrias e tristezas que no fim mostram o que realmente valem : nada.
Sinto-me abandonado, desprezado e até usado por amigos que eu denominei dos melhores, por amigos com quem lutei e ajudei até não poder mais, por pessoas que acima de tudo, tinham o meu respeito e a minha amizade. Poderei enunciar um conjunto de diferenças entre conhecidos e amigos, mas todos sabemos que essas diferenças nunca passarão de igualdades que nos farão confundir os dois termos.
No fim, sei que luto sozinho. Cada pessoa sonha, e para isso busca o seu próprio caminho usando as pessoas que usam o bem como forma de vida. É triste, ás vezes devastador, mas é com estes erros que um dia, nos ensinarão a separar estas pessoas, desprezá-las também, num acto de fúria e até precipitado, porque o que para nós são lições do passado, para outros são simples exemplos de um caminho mal escolhido. Por isso, não te apoies demasiado. As fundações dessa amizade podem demonstrar força, mas cedo perderão força em simples actos que para ti significarão o fim ...
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Give up ?
Desistir. Não chamar-lhe-ia de fracasso, mas sim de uma pequena vitória. Sinto-me fraco, de joelhos perante este mundo incapaz de me ajudar. Em baixo, triste e indiferente ao que me rodeia. Mas a força não está na forma como seguimos o nosso rumo, nem como conquistamos as nossas hárduas tarefas. Esta na forma como nos levantamos. Na forma como enfrentamos o que nos faz desistir, na forma como nos enfrentamos numa luta solitária onde tentamos que os medos se afastem, a vontade impere e a força nos leve a acreditar. Acreditar no possível, na certeza do impossível querendo conquistá-lo quebrando barreiras que nos façam exceder o limite. Aquele nosso limite, que achamos uma barreira demasiado grande para ultrapassar.
Dai levanto-me, e procuro a razão deste acto tão dificil de executar. Olho para o infinito, e sorrio. Porque o nosso sorriso, por mais triste que seja, é um começo depois de um duro fim, é um principio de uma longa etapa, é a base da nossa conquista. Se te queres erguer, pensa: a vida não foi feita para tristezas. Foi feita de etapas. Há dias bons, maus, longos e excitantes. Há o começo, o fim, a luta e a vitória. A vitória quando perdemos, quando damos valor ao nosso esforço, a vitória que nos faz louvar, que nos faz avançar e que nos enche de esperança. Há a barreira, a queda, a amizade e a liberdade. Quando se conjuga isto, podes dizer que estás a viver. Não o simples viver, mas sim aquele viver sentido e excitante que te faz contar o tempo. Ver o relógio andar lentamente, sem parar.
Por isso, nao desistas. Levanta-se, sorri, pensa no que te faz viver. Aproveita algo único, faz-te feliz. Porque quando te sentires feliz contigo mesmo, sentirás a excitação da liberdade. Voarás por entre mundos, sentirás a ofegante respiração de uma vida. Verás, nem que seja por pouco tempo, que a vida vale a pena.
Por isso, sorri. e acima de tudo, vive ... o mundo não acaba amanha, mas imagina que termina ...
Dai levanto-me, e procuro a razão deste acto tão dificil de executar. Olho para o infinito, e sorrio. Porque o nosso sorriso, por mais triste que seja, é um começo depois de um duro fim, é um principio de uma longa etapa, é a base da nossa conquista. Se te queres erguer, pensa: a vida não foi feita para tristezas. Foi feita de etapas. Há dias bons, maus, longos e excitantes. Há o começo, o fim, a luta e a vitória. A vitória quando perdemos, quando damos valor ao nosso esforço, a vitória que nos faz louvar, que nos faz avançar e que nos enche de esperança. Há a barreira, a queda, a amizade e a liberdade. Quando se conjuga isto, podes dizer que estás a viver. Não o simples viver, mas sim aquele viver sentido e excitante que te faz contar o tempo. Ver o relógio andar lentamente, sem parar.
Por isso, nao desistas. Levanta-se, sorri, pensa no que te faz viver. Aproveita algo único, faz-te feliz. Porque quando te sentires feliz contigo mesmo, sentirás a excitação da liberdade. Voarás por entre mundos, sentirás a ofegante respiração de uma vida. Verás, nem que seja por pouco tempo, que a vida vale a pena.
Por isso, sorri. e acima de tudo, vive ... o mundo não acaba amanha, mas imagina que termina ...
terça-feira, 27 de maio de 2008
Fins ..
Diferente. Insolúvel na vida, não á volta. Aconteceu, e acabou. É estranho olhar o céu, ver o dia, respirar este ar que todos os dias nos envolve. É simplesmente, diferente.
Gostava de acordar deste enredo em que adormeci. A vida parecia boa, era vivida, sentida, e até intensamente procurada nos longos segundos que passam. Olho o mar, a razão, olho a cor, olho em redor e vejo que tudo mudou. Já não procuro a alegria, porque sinto a tristeza. Deixei de ver o que de positivo a alegria me traz, porque encarei a dura realidade de ser como sou. De ser assim, de estar assim, de qerer ser assim e de falhar assim. Era bom acordar de manhã, levantar para a vida e sonhar que iria voar por entre estes obstáculos que crescem á minha volta. Agora, sinto-os como barreiras de uma grandeza inantigivel, de uma contrariedade tal que nem me vejo a ultrapassá-los. As forças cairam, a vontade fugiu, a ilusão voltou e eu, perante este mundo cruel, baixo os braços. Acabou. Lutar ? Não. A vida não sao lutas, são ganhos. Não sao exemplos, sao certezas. E eu sei que sinto que a razao leva.me a este estado involuntario em que me perco em pensamentos de como tudo seria diferente se .. se e ses que completam uma ilusão em que me escondo. Não desisti, simplesmente aceitei. Porque sei que a minha luta nao causara diferença, porque sei que eu n mudarei um caminho, porque sei que nao alterarei nada. Porque acima de tudo, sei como a vida me ganha e que, neste momento de solidao extrema, conjugo o verbo 'sentir' .. sentir fortemente esta vida e, de braços para baixo, olhar o ceu á procura da resposta ... resposta respondendo á pura ilusao da vida.
Gostava de acordar deste enredo em que adormeci. A vida parecia boa, era vivida, sentida, e até intensamente procurada nos longos segundos que passam. Olho o mar, a razão, olho a cor, olho em redor e vejo que tudo mudou. Já não procuro a alegria, porque sinto a tristeza. Deixei de ver o que de positivo a alegria me traz, porque encarei a dura realidade de ser como sou. De ser assim, de estar assim, de qerer ser assim e de falhar assim. Era bom acordar de manhã, levantar para a vida e sonhar que iria voar por entre estes obstáculos que crescem á minha volta. Agora, sinto-os como barreiras de uma grandeza inantigivel, de uma contrariedade tal que nem me vejo a ultrapassá-los. As forças cairam, a vontade fugiu, a ilusão voltou e eu, perante este mundo cruel, baixo os braços. Acabou. Lutar ? Não. A vida não sao lutas, são ganhos. Não sao exemplos, sao certezas. E eu sei que sinto que a razao leva.me a este estado involuntario em que me perco em pensamentos de como tudo seria diferente se .. se e ses que completam uma ilusão em que me escondo. Não desisti, simplesmente aceitei. Porque sei que a minha luta nao causara diferença, porque sei que eu n mudarei um caminho, porque sei que nao alterarei nada. Porque acima de tudo, sei como a vida me ganha e que, neste momento de solidao extrema, conjugo o verbo 'sentir' .. sentir fortemente esta vida e, de braços para baixo, olhar o ceu á procura da resposta ... resposta respondendo á pura ilusao da vida.
sábado, 17 de maio de 2008
Azóia
“Escrevo. Simples palavras que me conformam o espírito, ou que simplesmente o atordoam... Ordeno-as calmamente, num grito pela liberdade que elas me trazem. Procuro-as, chamo por elas na tentativa desesperada de elas soltarem o que sinto, a árdua dor da alegria no contraste com o vazio da mágoa.
Quero um abrigo. Abrigar-me desta agitação que o mundo cria, onde me envolve espontâneamente numa acção vulgar. Pediria o sol se fosse preciso. Teria vista privilegiada para um manto azul que envolve um mundo terrestre. Mas não. A excentricidade leva-me a momentos de loucura impossíveis de suportar, impossíveis de controlar. Prefiro esconder-me deste mundo, sentar-me comodamente e escrever palavrões através de simples quadros imaginários por entre uma natureza perfeita. Guiar-me-ia pela loucura da grandeza, mas sinto-me demasiado confortável para sonhar alto. Olho em redor, e abranjo tudo num simples olhar indiscreto. Consigo sentir a tensão exterior na minha pequena cadeira, onde vibro com tamanha sensação. Sensações permanentes na procura de liberdade, sonho e fantasia, voando pelo exterior sentindo o lugar. Sinto as palavras a entrarem-me pela casa adentro numa afronta á minha simpatia, buscando as minhas alegrias e tristezas, que a minha leve caneta descreve ao deslizar num simples papel. Porque sei que posso estar aqui como ali, que essas palavras não me abandonarão, simplesmente mudarão a minha ténue visão deste pequeno mundo envolvente. E, assim, traduzo este espaço como sensorial, sentindo cada segundo que passa, na intensa busca pela simples inspiração...
No fim, deparo-me com este volume marcante numa simples natureza. Complica-se o simples, e busca-se a simplicidade, num meio confuso onde nos libertamos do mundo e buscamos a básica palavra de todas: viver. Viver este espaço, viver este mundo, viver vivendo numa frenética envolvente que nos faz mover... Mover uma simples caneta, duas básicas palavras e um conjunto de ideias, que traduzem a minha liberdade, a minha inspiração. Sinto que consegui o espaço ideal, aquele em que eu vivo, e aquele que me faz viver...”
Quero um abrigo. Abrigar-me desta agitação que o mundo cria, onde me envolve espontâneamente numa acção vulgar. Pediria o sol se fosse preciso. Teria vista privilegiada para um manto azul que envolve um mundo terrestre. Mas não. A excentricidade leva-me a momentos de loucura impossíveis de suportar, impossíveis de controlar. Prefiro esconder-me deste mundo, sentar-me comodamente e escrever palavrões através de simples quadros imaginários por entre uma natureza perfeita. Guiar-me-ia pela loucura da grandeza, mas sinto-me demasiado confortável para sonhar alto. Olho em redor, e abranjo tudo num simples olhar indiscreto. Consigo sentir a tensão exterior na minha pequena cadeira, onde vibro com tamanha sensação. Sensações permanentes na procura de liberdade, sonho e fantasia, voando pelo exterior sentindo o lugar. Sinto as palavras a entrarem-me pela casa adentro numa afronta á minha simpatia, buscando as minhas alegrias e tristezas, que a minha leve caneta descreve ao deslizar num simples papel. Porque sei que posso estar aqui como ali, que essas palavras não me abandonarão, simplesmente mudarão a minha ténue visão deste pequeno mundo envolvente. E, assim, traduzo este espaço como sensorial, sentindo cada segundo que passa, na intensa busca pela simples inspiração...
No fim, deparo-me com este volume marcante numa simples natureza. Complica-se o simples, e busca-se a simplicidade, num meio confuso onde nos libertamos do mundo e buscamos a básica palavra de todas: viver. Viver este espaço, viver este mundo, viver vivendo numa frenética envolvente que nos faz mover... Mover uma simples caneta, duas básicas palavras e um conjunto de ideias, que traduzem a minha liberdade, a minha inspiração. Sinto que consegui o espaço ideal, aquele em que eu vivo, e aquele que me faz viver...”
Vive
Eram 10 horas. Sem dúvida, um dia diferente se aproximava. O sol, acabado de se erguer, iluminava um mundo inquieto, empolgado na busca do seu dever. Era visível uma borboleta, junto a uma linda rosa vermelha, no meio de um jardim. Uma área sagrada da natureza, onde se viam pequenas flores e imponentes árvores que sobressaíam naquele lugar. À sua volta, o mundo. A inquietação das pessoas, o ensurdecedor barulho da inovação e a busca pela tão esperada calma. Ali no meio, encontrava-se ele. Alto, visivelmente calmo e desgastado pelas mudanças na vida. Encorajado também, não só pela sua força mas por existir um dia de amanhã. Sentia a brisa, como um alívio para o calor que já era presente. Não pensava, simplesmente sentia. Sentia o seu respirar, a sua vontade, a sua força e a sua leveza para voar. Tinha tanto para contar mas das suas palavras surgia o ensurdecedor silêncio. Tinha aprendido a controlar-se, a sobressair-se das suas incógnitas e a levantar a cabeça, como que acreditando na sua força. Estava sentado junto a uma árvore. Os pensamentos surgiram, inesperados, enchendo por completo o seu ser. Sentia raiva, dor, tristeza até pelos seus actos, até que surgiu uma lágrima escorrendo pelo seu liso rosto. Julgava-se um falhado, um perdido no caminho por si traçado. Havia uma razão, mas por mais certa que estivesse, era difícil de acreditar. Tinha falhado certamente, mas era aquele o caminho a seguir. Incluía mudanças sem dúvida, mas esperanças e desilusões, alegrias e tristezas, e uma infinidade de coisas que o fariam outro. Outro ser, outra voz neste discutido mundo. Ele sabia e sentia essa decisão. Sabia que a vida era assim, feita de escolhas, e sabia que cada um tinha a sua longa estrada. Não a temia, mas esse era agora o seu percurso. Levantou-se, e olhou em volta. Tantas vidas, tantas forças e obscuridades. Sorriu. Sentia-se leve, forte como nunca, inquieto por começar o percurso, e incrivelmente esperançoso após aquele momento de raiva e tristeza. Sentia-se vivo. Algo que prometera não esquecer… Acreditava no futuro como ninguém, e por isso avançou em direcção do nada. Sabia que lhe aguardavam reviravoltas inesperadas, sorrisos persistentes e lágrimas angustiantes. Sabia que ia mudar, e que ia aprender. Sobretudo aprender. Após isto, sentiu-se vivo… Vivo como nunca. E partiu...
Pequenos textos ..
"e assim foi.. num momento unico, os seus olhos brilharam na escuridao, simbolo de que estava a minha espera.. era arrepiante a tua expressão, transmitida através dos teus olhos, da profundidade que eles tinham, das mensagens que eles me dirigiam. Fui ao teu encontro, guiado pelo meu coração e na esperança de te sentir. Junto a ti, era facil sentir o teu coração aos pulos, a tua respiração, a voz gritante da tua vontade.. peguei na tua mao, senti-te por breves instantes, e a olhar para os teus lindos olhos, disse: es o meu presente, e o sonho de seres o meu futuro.. não me abandones, e voa comigo.. liberta-te, sonha, que eu levar-te-ei sem regresso para o meu coração.. Foi entao que ele, no meio daquele momento unico, a olhou nos olhos, e pegando nas suas mãos suaves, lhe murmurou: "... não vás ... és o meu presente, o meu futuro. Quero-te, agora e amanhã, quero sentir a tua doce pele, ver os teus lindos olhos, e beijar a tua boca... não me abandones, porque destroçarás o meu coração, e a partir daí, a minha vida perderá cor, porque és tu o meu arco íris.. " Depois destas palavras, o coração acelarava.. a ligação de olhares era forte, penetrante.. como eram lindos os olhos dela, com o brilho que mostrava a sua alma.. então ele avançou, e beijou-a.. momento único aquele, onde a paixão se soltou ... Aquele momento tinha sido unico.. os labios dela eram inesqueciveis, e cada beijo era apenas mais uma lembrança.. olhou para ela, mais uma vez.. era hora de partir. Ja sentia saudades. Apesar de a ver mesmo a sua frente, e de sentir a sua mao, as saudades apertavam.. era triste saber que se ia embora, e que ia passar umas horas sem a ver, sem a ter, sem a ouvir... tinha gravado a imagem do seu olhar, e como despedida, murmurou no seu ouvido: "Sei que vais, mas gostaria de te ouvir dizer que voltas.. es-me tudo. Es o meu sonho, o meu presente. Sabes que eu te adoro, e que nunca te esquecerei.. Por favor nao me abandones.. " Depois de um beijo, ela partiu.. Ele viu-a desaparecer no horizonte.. a sua imagem ficou memorizada, e o seu olhar cravado em memórias.. era linda aquela imagem, cm o por do sol a iluminar o horizonte.. sem duvida que tava apaixonado, e ela era a tal que o fazia sentir-se dessa forma.. Ele estava ansioso.. ia ve-la mais uma vez, senti-la. Tinha chegado a hora. Ela não se atrasou, e o seu olá havia feito desperta-lo.. Ela estava ali, á sua frente. O que ele havia sonhado estes dias, era agora realizado. Via o seu olhar penetrante, ouvia o seu respirar, e sentiu a sua mão, num toque leve e suave. Aproximou-se dela, e murmurou ao ouvido: "Ainda bem que viestes.. Morri de saudades. Quero-te." Após estas palavras, ela beijou-o, inesperadamente. Ele sentiu naquele beijo aquilo que tanto esperou nos últimos dias. Foi longo, doce, mágico. Finalmente tava cm ela, e nunca a iria abandonar... Descobriu, por fim, que tava apaixonado... As horas de agonia demoravam a passar.. estarias bem? O meu coração palpitava por ti.. sentia medo de te perder, medo de que não estivesses bem.. Por fim, recebi um recado teu.. Estavas bem, e iria tar contigo.. Estava perto o momento. Esperei pelas 11h, um pouco nervoso, mas seguido pelo coração. Avistei-se, e aí, tudo mudou. Es linda... Vi os teu cabelos encaracolados, abrilhantados pela luz do sol.. o teu corpo, perfeitu, e por fim, quando já estavas a minha frente, vi os teus olhos, senti a tua pele após dois leves beijos.. Es perfeita.. senti a tua mão, e não pude deixar de dizer.. Adoro-te e quero-te... "
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